23 janeiro 2010

Bleeding Heart


Esses têm sido dias corridos. Ainda mais depois do fim de um relacionamento ‘amoroso’ e a batalha travada para entender os motivos de não ter dado certo.

O mundo não parou de rodar e sobrou pouco tempo para pensar no processo de rompimento deflagrado em 25 de dezembro. Dia de um dos últimos posts.

Muita reflexão, papo com amigos, terapia, livros, álcool, dolce far niente e, eis que, o principal incômodo foi encontrado. A velha e não boa culpa cristã.

Por mais reducionista que possa parecer, um relacionamento em que as pessoas se gostam, têm afinidade sexual e convivem com outras pessoas não basta para perdurar pelo mais duradouro dos tempos das fábulas.

Nos amores duradouros muitas vezes é preciso o tal dos ‘sininhos tocarem iniciais’ ou mesmo mais proximidade de mundos. Quando isso não acontece e mesmo assim insistimos no eu não estou fazendo nada nem você também, passado algum tempo devemos ser honestos acima de tudo com nós mesmos e fazer o gostar d´outro prevalecer, mesmo que separados. Aí vira respeito, admiração pelo outro e busca pelo bem estar. Ainda sim nos casos onde a situação é confortável para aquele que ama menos, uma hora a compreensão do outro se esvai. Afinal, isso aqui não é mais a década de 20. O outro começa a bancar ‘a xiliquenta’ e ter ataques de pelanca por qualquer tampa de privada respingada.

A caminho da superação desse, que é o maior dos segredos, a culpa por não entender porque quando um ama, o outro não ama em igual medida, as coisas continuam a acontecer ao redor de nosso asseados umbigos. Mais pessoas aparecem no mundo e continuamos procurando sarna para nos coçarmos.

Quando menos nos damos conta estamos mais uma vez correndo atrás de alguém completamente diferente de nós mesmos para, quem sabe assim, encontrar mais um pouco da tola culpa cristã e então exercitar namoros que mais parecem voluntariado para algum projeto social.


29 dezembro 2009

Passividade ou Tolerância?

Não vou abusar de metáforas para não correr o risco de não ser claro.

Tenho pensado e vivido alguns conceitos comuns ao nosso tempo: sociedade, espaço, respeito, violência. Já falaram sobre o problema do difícil controle com a enorme extensão das cidades (Rousseau), da intolerância ou tolerância (Marcuse), da sociedade (Freud e Jung) e da violência (Foucault). A minha parte aqui está no quanto ler tudo isso não me mudou – ainda- efetivamente.

Acho que é como ler o Pequeno Príncipe sabe. Quando se é pequeno você lê e ok. Quando se é adulto, você lê, sorri e chora emocionado com Saint-Exupery.

Ultimamente tenho ficado tenso com esses episódios nas salas de cinema de São Paulo. E muitos amigos têm notado o mesmo. As pessoas se apropriaram tanto da cultura do “To pagando”.... que conversam, falam alto durante a sessão, sem se importar com os outros que, teoricamente, foram lá para assistir a um filme. Acho que esse era o grande medo de Adorno ao pensar a Arte como negação; a massificação das coisas fazer as pessoas perderem qualquer limite de onde é a sala de estar da casa delas e de onde é o espaço público. Dessa vez não suportei uma criança de 4 anos a chorar, levada pelos pais para assistir a projeção de um filme de terror. Resisti menos ainda ao casal barulhento que conversava sobre as cenas atrás de mim. Coitados, eles sequer viram problema em estarem conversando. Vide o que o homem do casal me disse : “Mas está todo mundo conversando”. Perdi a linha. Fiz escândalo. Fui alertado sobre os perigos de ter feito isso por alguém que me ama.

- “Nós poderíamos ter levado um tiro!”

Achei que poderia ser uma possibilidade, mas eu não poderia suportar aquilo calado. Pra mim seria ser permissivo. Conivente.

Na ordem dos acontecimentos li uma coluna da Soninha na Vida Simples “Odeie seu Ódio”. E que raiva me deu da Soninha. Tão ativista. Forte para querer mudar os mundos ao redor dela. Tendo essa postura passiva que eu condeno tanto?

E o mundo continuou girando e esfregando na minha cara como está. Até o estalo.

Meu melhor amigo me liga há pouco para falar que procedia tomar cuidado com OS OUTROS visto nosso nível de exigência e, certa intolerância. E disse:

- Na mesma noite que você foi tomar café da manhã, de madrugada, na Dona Deôla, no nobre bairro de Higienópolis, poucos minutos depois de sua saída, um jovem foi esfaqueado pelo ‘segurança’ da padaria após uma discussão.

Esse foi o alerta do meu melhor amigo. “Tome cuidado”. Ele lembrou ainda de um dia que uma mulher cortou a frente do carro dele e buzinava histericamente. Eu, extremamente incomodado com a grosseria com uma pessoa que amo tanto, passei pela mulher a vociferei algo que não lembro bem. Depois (só soube disso hoje) a ‘segurança’ do estacionamento que estávamos foi falar com meu amigo e disse:

- Fale para seu amigo ter cuidado. Sei que a mulher estava sendo desagradável. Mas eu, que trabalho aqui, estou cansada de ver gente que dá tiro, e age com violência com outras pessoas por bobagens. Fala pra ele não fazer mais isso que pode dar de cara com um louco desses!

Fofa a mulher não é? Pois é, e ela emendou:

- Sabe, eu sou policial também. E se o seu amigo tivesse xingado a mim, eu perderia a cabeça e não me custaria muito dar um tiro nele.

Meu amigo, chocado, e também perdendo a noção do perigo, retrucou:

- Então você não deveria ser policial né?!

Arriscou-se naquele momento também. Vai saber que tipo de louca ela era?

Bem, não querendo ser um desses loucos. Decidi fazer de 2010 um ano de tolerância. E fui ler sobre a notícia do garoto morto na padaria. Foi então que vi a foto. O garoto estudou comigo em um colégio nobre de São Paulo. Ele não era dos sujeitos mais calmos da classe. E o ‘segurança’ da padaria, bem, ele não era bem segurança. E tampouco estava preparado para orientar pessoas.

O fato é que essas pessoas estão por aí. Com facas na cintura, revólveres devidamente cadastrados e, muitas vezes, deveriam nos proteger. Nem sempre o fazem. Se somos nós quem consegue pensar, que tal não sermos mais agressivos nas palavras e nos pensamentos?

Alguém mais se junta a mim na campanha 2010: Ano da Tolerância!

25 dezembro 2009

Xmas is overrated - 25 de dezembro de 2009


Escrever com o coração me parece menos nobre que escrever com a alma. Geralmente, tento acalmar o coração dando voz a ele. E o que a alma sente? O único tom realmente intangível. Composta de sentimentos inomináveis.

Nada de música para escrever hoje. Sem trilha sonora que possa corromper, maquiar ou ocultar o que é sugado pelo buraco negro da alma que tudo cria, tudo destrói e reconstrói.

Neste momento, as letras são uma energia escondida para desvelar o que está escondido pelos desconfortos dos excessos de vodka e taurina gasosa da noite anterior. As cansativas superações dos supostos limites do corpo para se manter dançando músicas com batidas eletrônicas que já não ecoam pela cabeça quando as luzes da translação da Terra e o revelar do dia expõem o esgotamento de uma cultura- ainda em gueto- colorida, nomeada alegre.

Nos primeiros espasmos de claridade do início do dia, os G´s, E´s, Crystais, balas e tantos outros, dão sinais que já não surtem mais efeitos no sistema nervoso central. Agora percorrem pelo rio de sangue, sintetizados até serem expelidos. Voltam as lembranças sobre esquecer-se do vício de lamentar-se por tomadas de supostas tentativas de tempos de paz, reconciliação e perdão. As pessoas que supostamente seriam as mais próximas são as que estão mais distantes. E, no fim da noite, as mais próximas voltam a ser tão distantes quanto antes.

São todos pensamentos da noite anterior, que escorrem no dia seguinte, entre altas dosagens de hidróxido de alumínio para acalmar o enjoo, e de boldo, para pedir carga extra ao fígado. Remédios naturais e drogas sintéticas.

As letras compõem palavras com a promessa de serem remédios internos que farão jus ao espírito do natal. O chá ainda quente lembra que a alma está vinculada ao corpo. Ordena que se façam reflexões e pese que, em tempos de festas, tenhamos algum tempo extra para refletir.

Refletir com leveza. Refletir com esperança. Refletir para mudar. Acima de qualquer evento, doar um pouco a si próprio para refletir sem julgar.

Estamos todo o tempo ocupados demais em julgar, e experimentar a culpa por depreciar os outros e descartamos desistir do cruel auto-julgar.

Que o natal tenha disso. E que seja assim até o último dia 31 do calendário romano. Quando poderemos enfim voltar à crudelidade de nossos tempos.

Imagem: remixagem de deviantART+acervo pessoal

30 novembro 2009

Escravos de Ganho


Os escravos de ganho eram conhecidos à época do Império por realizarem tarefas remuneradas, entregando ao seu proprietário (senhor) uma quantia diária do salário que recebiam trabalhando. Assim acreditavam estar comprando sua liberdade. Algo muito parecido com as organizações de trabalho hoje não é?

Tratados como desconjurados em uma selva onde aqueles que poderiam dividir a maior parte da vida - colegas de trabalho - viram vorazes predadores e qualquer problema se sentem ameaçados pela perspectiva de alguém ter traído a confiança e entregado ao seu algoz. E caso perca aquilo, perderá tudo. Caso tenha um novo trabalho, não irá se dedicar. Afinal, é mais um trabalho ameaçador e temporário.

As pessoas são contratadas para uma vaga, trabalham por duas, são remuneradas por metade de uma delas na esperança de um dia serem donas do próprio nariz.

Nessa roda desafortunada dançam funcionários, colaboradores, PJ´s, contratados, celetistas, celetistas FLEX, efetivos, quase efetivos...

23 novembro 2009

Academia

Me disseram que eu iria ter mais disposição. Cada vez mais cansado......

15 novembro 2009

Corpo meio cheio ou meio vazio?


Em busca de segurança feudal e troca das dores da liberdade pelo pertencimento ao grupo e segurança, algumas drogas receitáveis parecem aflorar um aspecto imanente da natureza humana. Comer é fundamental para sobreviver. Comer muito serve para além de preencher o vazio do estômago, preencher o vazio da alma ou aquietar a mente. Como se nada dentro de nós pudesse ficar vazio. Boca, garganta, estômago, intestino grosso, delgado, reto.

Algo como se no decorrer de nossos dias as mãos não pudessem ficar vazias por muito tempo e, por isso os anéis, as canetas, os cigarros, as armas, as luvas e os carros. Nem sequer pés desnudos: as caminhadas, academias, esteiras, bicicletas, sapatos, escalda-pés, kung-fu e capoeira. Nem mesmo a alma. Amores, religiões, drogas, meditação, regressão de vidas passadas, presentes e tarô.

E a mente? Terapia, artes, conversas, diálogos, triálogos, bacanais, escola, mais escola, congressos e cursos, palestras, livros e filmes. E então, quando percebemos as mãos estão doloridas e o dedo indicador paralisado com tendinite pelo scroll do rato que mexe o cursor do computador.

E o estômago com câimbras agudas por ter engolido tanta comida, traumas, desmandos e prazeres. Spinoza disse para fugirmos das paixões tristes. E o capitalismo, o que diz? Que não se destrói se supera. Os incômodos não são “antecedíveis”, então, evite os exageros diários. Se fosse assim seria fácil. Alguém aí consegue lembrar o quanto sofreu da última vez que comeu em exagero, apaixonou-se, quebrou o pé, o dente, teve cólica renal? Sempre esquecemos e superamos aquele ponto. E reincidimos. E se é assim, que seja reincidir pelas paixões felizes.

09 novembro 2009

Calvário

Quando deu 16h recebi uma ligação:

- Ricordo?
- Sim, sou eu.
- Antonio, tudo bem? Tô te ligando pra falar que consegui um preço melhor...
- Hum....
- Você vem hoje?
- Pode ser...
- Às 19h30?
- Pode ser...
- Não vou estar aqui. Procure o Eric.

Bom a partir daí comecei a gelar. Taquicardia.

Indo para lá pensei em desistir. Parecia um blind date.

- Oi Ricordo. Você veio!
- Pois é, mas tô pensando em não ficar.

E eis que uma criatura alucinada que costumava jogar barras de cereal na balada justificando que era pra quem estava fritando ter um pouco de açúcar grita:

-Ricooooooooordo. Você!!! Entra logoooooooooooo. Vem vem!!! Libera pra ele. É meu amigo.
- Não não.... só vim dar uma passadinha.

Resultado. Não teve escapatória. Fiz a matrícula. A academia começa amanhã pra mim.


08 novembro 2009

A volta dos Lanterninhas

Há algum tempo tenho tentado entender o que se passa nas salas de cinema de São Paulo. Que embotamento é esse para experimentar arte? Será que cinema ainda é arte? Equipamentos de som de 'última geração' (sucata alheia ou não sempre melhor ao que já tínhamos por aqui); poltronas mais espaçosas; IMAX; a maior tela da América Latina e tantas outras melhorias para tornar uma sessão de cinema uma experiência única (não era esse o conceito de arte? (cadê Adorno para criticar a indústria cultural nessas horas?)

Certo, acho que é exatamente isso que acontece. Uma experiência de auto- controle. De paciência. De animalidade. Sim, porque é exatamente essa impressão que tenho tido ao assistir filmes nas mais diferentes salas de cinema.

A primeira tentativa foi O Anticristo no Shoping Bourbon (Unibanco). Filme de Lars dá para imaginar o sofrimento não dá? Pois é. Acho que ele mudou o estilo para comédia e eu não consegui entender. Afinal, a cada tomada sobre o anticristo que temos dentro de nós algumas pessoas riam copiosamente. E foi assim o filme todo. Conversando com a gerente do cinema a justificativa foi que tinha gente de todo tipo ali. E não é assim o mundo? Gente de todo tipo? Estou sem entender até agora. Claro que fiz uma sugestão/ reclamação (era a segunda vez que via um filme dramático com as pessoas gritando e rindo. Alguém entende as pessoas ficarem rindo da miséria humana? O outro filme foi o tenso Salve Geral). Sugeri os famosos 'lanterninhas'. Ninguém me respondeu.

A segunda vez foi no Shopping Vila-Lobos. Agora, Cinemark. Dessa vez para ver O Contador de Histórias. Mais uma vez um bando de adolescentes (esse deve ser o coletivo para a maioria dos adolescentes- BANDO) que riam da ingenuidade da simpática e otimista Maria de Medeiros de Margherit Duvas.

Então percebi qual seria o provável problema. Salas de cinema dentro de shoppings Center. Essa semana fui assistir curioso Deixe ela Entrar. Dessa vez no Espaço Unibanco. As pessoas não gritavam... muito. Mas, como nada é perfeito o filme foi projetado na decadente sala 4. Cheiro de mofo, cadeiras esgarçadas, áudio descompensado e gente entrando atrasada, e passando na frente de quem chegou no horário sem a menor cerimônia.

Fui eu que fiquei rabugento ou as pessoas têm cada vez mais noção sobre os limites espaço público?

19 outubro 2009

Amigos e Web: Chiaro/escuro

O post de um amigo Amigos de MSN me fez pensar. Ali ele diz que a internet trouxe certa proximidade que agora distancia. Certamente que a ideia de ter uma ou outra janela inteligente como ouvinte para conversar ou, simplesmente ser ouvido é agradável. Mas, eu mesmo não faço isso há tempos. Lembro que a última vez que saí com esse meu amigo ele me contou de algo que parecia estar acontecendo que o preocupava. Insisti algumas vezes para ele dizer. Respeitei o silêncio. No dia seguinte mandei uma mensagem de texto perguntando se estava tudo bem. Que se precisasse de algo poderia contar comigo. Sequer recebi de volta um "obrigado" ou "não enche" ou ainda "você não pode ajudar". E isso me fez pensar. Quanto de auto-indulgência não tem em nossas reflexões?

Isso me lembra algo ainda mais perturbador que tenho vivido nos últimos anos. A angústia de perceber que tem muita coisa e pouquíssimo tempo. Tem aquele video que diz que hoje, em uma edição do NY Times temos mais conteúdo que toda uma vida de alguém que viveu no renascimento. E olha que eles poderiam ter um monte de chiaro/escuro. E então eu pensei. Orkut, Facebook, Limão, Twitter, MSN, Gtalk.. e o que tudo isso tem por trás? Pessoas!
AS pessoas que eu realmente estou próximo eu sequer falo por ali. Paixão, grande amiga de jantares semanais, amiga de país distante de telefonemas, amigo de baladas/bares/cinema e afins. A turma do trabalho que é uma forma saudável de relacionamento.
Mas não nego que sinto saudades daquele amigo do começo da mensagem. É que, diferente do trabalho que eu planejo estratégias de exposição em redes sociais digitais, não me sinto a vontade fazer isso com amigos.

Então, alguns entendem certo sumiço. Outros não...

09 outubro 2009

Por que certa melancolia?


Por conta dos momentos mágicos proporcionados pela aura de encantamento que envolver ser fã. O tal do gene “Jenny”.

Sentir-se reconhecido por alguém que você considera inatingível, divino, soberano. A fantasia que envolve esses momentos transporta do labiríntico cotidiano e seus conflitos para um universo paralelo onde uma força impulsiona para conseguir o melhor lugar do concerto. O melhor ângulo. Um gesto sincrônico no tempo certo. Um apelo atendido por alguém que é apenas tão humano quanto nós. E não esqueceu disso.

Ao fim da jornada sempre parece que poderia ter ido adiante. E as ideias voltam a ser P&B até reconquistarem uma palheta básica de tons pastéis para colorir os dias.
E essa realidade, o que é senão a tentativa de conseguir cores vivas e orgânicas? Um plano de vida que avança e suplica por mais fantasia.

08 agosto 2009

Ode à vida

Pensei em escrever um longo texto. Poético. Algo que dissesse, com um toque quase divinal, o que tem acontecido comigo nos últimos anos. Algo que começou no sabático período de depressão em 2003. Que permeou minha vida até agora. E, que me ajudasse a entender por que eu sinto um bolo no estômago, algumas noites não tão bem dormidas e dias menos plenos do que pedem para ser. Algo que falto em dizer.

É mais simples que um grande texto, crônica, prosa ou verso que floreie os meus verdadeiros anseios.

Em um mundo de belezas e também injustiças. De expiação ou de destino final. Não importa. Todos os dias fazemos uma escolha para sair da cama.

Eu, todos os dias eu escolho vocês. Reafirmo esse compromisso por vocês. Pessoas que eu realmente quero. Pessoas fortes e livres. Pessoas de carne, osso, espírito e sentimentos. Particulares e comuns entre si, em essência. E o que eu tenho a dizer é que, junto dos meus pais e irmãos, vocês são as pessoas mais importantes da minha vida.

25 janeiro 2009

Do sentir e o amor


O que fazer da vida? Quem são seus amigos de verdade? O que é de verdade? O que é ‘é’? Algo existe? Todas as escolhas são fundamentadas nos desejos coronários? Afinal, o coração é apenas uma máquina? Existe um desejo e escolha da alma?

Me parece que tudo é uma opção não fundamentada em nada. A única fundamentação que existe é para a escolha racional. Nas escolhas da alma não existe lógica. Não existe explicação. É inconcebível. É como descrever a palavra. Descreva o que é uma palavra. Percebe o quanto é ilógico? Para a razão, explicação, lógica... as escolhas ‘de coração’ soam como escolhas aleatórias pois, se não as são, deixam de ser ‘de coração’. Tornam-se baseadas na lógica. Não existe coerência nesse caso. Existe certa sinergia com algum elemento químico produzido entre o córtex cerebral e a medula espinhal que cria os sentimentos. Em verdade não os cria. Os expõe, torna-os perceptíveis. A criação é um processo/ação que diz respeito a tirar algo do nada para a existência. Ocorreu-me que o nada não é a insistência total das coisas. É não poder ser enxergado por qualquer um de nós. Ou pela maioria.

Bem se o sentimento é algo criado com base no repertório de vida, meio ambiente que interage conosco e, por fim, trazendo para a existência através de sinapses e processos neurais, o amor entra na mesma toada? Pensei em pesquisar o amor para os filósofos, autores, diretores, cientistas. Desisti da idéia e preferi tentar me aproximar do amor. Sentir. Que palavrinha magnífica essa. SENTIR (receber uma impressão). Quem inventou a linguagem? A das palavras. Cada palavra tem em si uma reflexão única.

As palavras têm dessas coisas. Exercem um fascínio que nos impele a explicar, justificar, descrever tudo. Dessa vez não minhas caras amigas. Vou apenas sentir.

24 janeiro 2009

Paixão segundo RL

"Não. Sei que ainda não estou sentindo livremente, que de novo penso porque tenho por objetivo achar - e que por segurança chamarei de achar o momento em que encontrar um meio de saída. Por que não tenho coragem de apenas achar um meio de entrada? Oh, sei que entrei, sim. Mas assustei-me porque não sei para onde dá essa entrada. E nunca antes eu me havia deixado levar, a menos que soubesse para o quê." - Clarice Lispector

Um final de desfile de moda. Um término de vida em roda. Depois de horas e quartos de horas, minutos e centésimos de segundos onde tudo muda, em um rompante de insanidade, coloquei porta a fora o meu amor. Um amor que eu chamava DE, mas, sequer sabia aonde iria me levar. Tal qual na paixão segundo G.H., perdi a terceira perna do tripé que me sustentava. Apenas no hoje que se fará ontem, cambaleando, sai a andar ao redor de minhas únicas duas pernas e pés na esperança de chegar a algum lugar. Lugar que me acariciasse.

Dois ou três passos passados e, caí no cimento duro. Levantei-me para esgueirar-me até uma taça de vinho sôfrego que restou do último jantar para re-encantar o teor etílico que dá o certificado para o sofrer. O último vinho. A última garrafa. E pensar que amanhã seriam pisadas uvas que fariam novos vinhos...



Vinhos, amores, jantares, paixões- o jogo. Quando o amor é um jogo, alguém sempre sai perdendo. Quando é passatempo, alguém acaba enjoando. Quando é um não-sei-o-quê... vislumbramos que poderíamos ter sido felizes. E seríamos? Fomos? Seremos? Reverberações de um coração embriagado que pede às pernas apenas mais alguns passos até o leito. Às plumas de ganso, penas enfim, darão o conforto e a carícia para acordar para uma nova montagem humana.

16 janeiro 2009

Bazaines

De encontros e reencontros os tempos passam. Uma convivência mais leve. Um desligar de conversas. Algo não muda. Algumas definições são eternas.

Vou me valer de Albert Camus, em A Queda:
“Quanto aqueles cuja função é amar-nos, quero dizer, a família, os aliados (que expressão esta!), isso é outra história. Têm a palavra necessária, sim, é verdade que a têm, porém é mais a palavra-bala; telefonam como quem dispara uma carabina. E acertam no alvo. Ah! Os Bazaines!”

Você já descobriu quem é sua família?

19 dezembro 2008

Giovedì

Giovedì.

Esta quinta-feira começou como qualquer outra. E poderia terminar como tantas que já passaram. É certo que há tempos que eu não sentia o ciúme e a insegurança consumir meus pensamentos. Mas algo se movimentou ao redor. Poderia manipulara a situação, ou não. O que não seria honesto com a outra parte. Decidi apenas falar o que sentia e deixar os sentimentos surgirem. Em poucos minutos ficou incontrolável. Cedi ao monstro de olhos verdes e despejei as inseguranças – minhas – no outro. Algo me segurou para não ir muito longe. Porém, algum tempo passado percebi que poderia ser, eu, suficiente a mim mesmo. Fui por tentativas. Por soluções criativas. Primeiro um cigarro. Depois uma caminhada me levou ao supermercado e, entre uma gôndola e outra um vinho: nem forte, nem suave; não premiado, mas nem por isso fuleiro. Na medida certa trouxe minha taça de vinho. Não deu acertei. Mais uma. Nada.

Usando da liberdade que certas posses beneficiam segui rumo à balada que mais lembra uma alcova. A memória mais recente era de um lugar divertido, com uma boa música e pessoas que se colocam diante do mundo. Já na entrada um certo desconforto. Seria hora de voltar? Já estava ali, porque não entrar e parar com arrependimentos tolos. Afinal, eu mesmo teria o controle sobre as decisões mais primitivas que poderiam vir a me incomodar depois.

O lugar estava diferente. Uma taberna. Um covil. O preço não era mais justo, a bebida não é mais aditivada e as pessoas... bem... as pessoas pareciam as mesmas, acrescidas de fãs de uma diva pop que ocupa o lugar de algum deus que os homens esqueceram.

Faltava algo. Uma peça estava fora do lugar. A música não era stereo, era estéril. Alguém. Um pedaço da minha história. Mesmo os olhares desejosos que antes me deleitariam davam um certo asco. Um enjôo. Um pudor monogâmico que parecia perfeitamente compreensível. Como se ninguém ali fosse páreo. Ninguém é insubstituível eu sei. Todos esquecem qualquer um ou qualquer coisa depois de 30 ou 40 dias... Acontece que nessa noite, eu percebi que tenho alguém que me é especial.

02 setembro 2008

Tempestade Tropical



No Caribe começa a chover.
Grandes gotas pesadas;
que explodem em cima das folhas de bananeira
caídas no chão
lembrando o fracasso e a dor de não ter suportado
ventanias, neblinas e tornados.

Os galhos sem folhas choram
gotas pontiagudas que escorrem entre seus nós;
trazendo à boca do estômago
certa angústia de ter saudade de algo que não deu certo.

No Caribe Tsunamis percorrem o litoral;
Em algum outro lugar há de sobrar um tranquila brisa
rumo ao oceano.

16 julho 2008

Faça sua escolha


Quantos de nós vivem em escafandros olhando apenas para aquilo que nos parece

seguro? Virar borboleta parece perigoso. Até porque muitas espécies vivem cerca de 3

dias depois da transformação completa. Não estou dizendo que é melhor ficar no

escafandro. E nem que é melhor ser borboleta. Apenas um momento de reflexão causado

pelo belíssimo O Escafandro e a Borboleta.


Sempre pensei que o escafandro fosse mais seguro. Mas, a qualquer momento a bomba de

ar pode falhar, e o ar faltar. E eu não ter ido nem fundo o suficiente com meus

olhos através da janelinha.

Ausência da luz

Antes de voltar ao atual, vou passar para cá um dos antigos:



Parece que o que realmente nos distanciou foi a perda da admiração que eu tinha por você. Pela sua respiração.

Era o fato d'eu estranhar você conseguir chegar do trabalho e ficar alguns bons instantes deitado sozinho no quarto escuro. Apenas você e sua respiração. Sem aparelhos eletrônicos. Ficar sozinho. Coisa que eu admirava. E você não tem mais.


Admirar o outro me parece quesito fundamental para um relacionamento respeitável, orgulhoso, construtivo e saudável.

10 abril 2008

On-line

Quão dependentes somos do que nos conecta ao mundo? Uma mensagem, um recado, uma carta, uma ligação, algo na secretária eletrônica, um e-mail, uma mensagem de ICQ on/offline, no messenger, skype, um e-mail, uma chamada não atendida no celular. Muitas formar de querer ser lembrado.

Quanto mais conectado alguns de nós ficamos, mais dependentes, ansiosos e com expectativas (que costumam gerar futuras frustrações) também ficamos.

Qual é a decepção de não ter alguém nos procurando?

06 março 2008

Coração


Estava pensando naquele ditado... "O que os olhos não vêem, o coração não sente".
e pensei...
pensei.......
pensei e cheguei a seguinte conclusão: O que os olhos não vêem, o coração não sente mas se a mente imaginar você pode ter uma ataque cardíaco.

Bobinho né?! Soa um tanto neurótico até. Na verdade a neurose causa o ataque cardíaco. O exagero, a ubris tudo isso junto e mais um pouco me deixa um tanto alucinado. Até a hora em que recebo uma informação que me acalma.

Mas que raio de insegurança é essa?

12 fevereiro 2008

Sofrer

Tenho que escrever antes de esquecer, mas não perdendo mais tempo que o necessário.

Conclusão que pareço ter conseguido conceituar:

Sofrer por algo que não se tem mais é melhor do que sofrer por algo que você não sabe se tem.

10 fevereiro 2008

Mensagem não enviada

O seu tempo é diferente do meu. Nós somos diferentes, Adeus.

Caro terapeuta,


Como explicar? Não quero escrever bonito, filosoficamente ou coisa que o valha. Quero escrever isso endereçado a você.

Coloquei Acabou Chorare dos Novos Baianos para ver se as coisas melhoram. ‘Besta é tu de não viver esse mundo’ . Mas – olha o ‘mas’ aí- por mais que possa ter milhares de coisas interessantes a se fazer essa minha falta de vontade de vida é na verdade UM EXCESSO DE VONTADE DA VIDA.

Não quero viver de qualquer jeito, quero viver muito, do jeito mais pleno que houver. E há? Enquanto não acho acabo por sofrer. Por ter algumas dores que passam e voltam. Ansiedade e sentimentos não correspondidos.

Procuro os amigos na busca disso, nem sempre eles estão disponíveis- por maior o número que se possa ter deles- ou em outras vezes você é abatido por uma falta de vontade ver qualquer um. E aí começo a masturbação mental.... pensar... um ‘Q’ de masoquismo, que embora eu não deva, não quero evitar.

Disseram que a fluoxetina elimina um pouco, ou esconde, os sentimentos. Ah!... queria que ela fizesse um pouco disso. Afinal, sinto demais. Você pode novamente dizer que isso é na verdade bom. Não é. Não é bom agora. Agora eu sinto uma desconjuntura entre pedaços do corpo, cada um assume sua própria direção. A mente tenta levar tudo pelo mesmo caminho. As pernas tremem, os dedos se movem freneticamente para voltar a atenção de tudo para a ação presente: O escrever. Me escapa uma vírgula.

Hoje eu não quero morrer. Mas quero dormir. Quero morrer por umas horas. Até as coisas ficarem do jeito que eu ACHO que vão ficar melhores. Até o objeto de desejo/posse/amor/controle/bem-estar de volta.

Não é assim que DEVE ser, afinal, isso causa dor. Como faz para lidar com o foco? Não ter apenas um foco...

06 fevereiro 2008

REssaca

Escrever alcolizado me soa um tanto interessante.
Q1uando é a a hora certa de parar? Depois de não ter bebido e ter bancado o forte pra outra pessoa que acabou te ligando o mostrando o quanto vc é neurótico tentei dar uma volta para mostrar como independnete eu era. REsultado: pneu furado e voltei pra casa. Vai entender o que planjeam pra gente. Só espero não acordar de ressaca.
SEria justo.

05 fevereiro 2008

Motivo para Ação

Qual é o seu problema? Por que você não entende o que eu sinto ou tenta me fazer sentir melhor? Por que isso não é tarefa sua? Por que eu joguei isso em cima de você? Mas o que é exagero e o que falta de consideração?

Me soa falta de consideração extrema por saber como eu me sentiria, então para que tudo isso? Das chances as menos prováveis... você sofreu um acidente, virou refém de uma FARC, não quer realmente falar comigo, acha que já avisou mesmo que estaria viajando....

Me sentir assim sei que não devo, mas por mais que eu me esforcec para tentar mudar as coisas junto a você, talvez seja impossível. Largar o vício é um tanto mais impossível. Ontem fingi que tinha decidido. Não me senti melhor do que por alguns breves momentos. Mas ao procurar todos os meus amgios - e não ter conseguido falar com nenhum- me senti ainda mais sozinho. Afinal, minha própria companhia é a que a menos me agrada. Okay, tinha uma amiga, mas o programa que ela queria fazer não me agradava.

Quero doar minha companhia para alguém. Quero ter um motivo das coisas. Alguém para ligar, alguém para pensar, algo para almejar. O fato é que não tenho nenhum desejo sincero. Nenhum desejo integralmente meu. Ganhar muito dinheiro só me faz acreditar parcialmente no meu próprio sucesso e nas coisas que viriam dele. O que mais me falta é a falta de motivação. O que nos da motivação?

Tem gente que quer uma outra pessoa para surpreender. Tem gente que liga no piloto automático, e sem saber porque, vai levando as coisas... tem ainda os que vêem a grande luz em uma Fé inabalável- ou abalável- e assim algumas outras pessoas, como eu, não encontram o que as motiva de fato. Pensei que seria o trabalho. Mas aí chega o final de semana e quero me divertir também. Algo que impede, que não nos deixa bem em nossa própria cia. Que chama para a cama. Mesmo fazendo um delicioso chá infestado de cafeína, ou um café italiano forte, um ansiolítico, um drink, ou dois (gin talvez seja uma bebida depressiva demais, será que é por isso?), o vinho só me faz dormir mais rápido.

Nada muda. No mundo moderno, se você não encontra seus amigos, se você não tem um mestre ou se não tem fé em algo espiritual acaba procurando a medicina. Área limitada, faz o que pode. Receita um ou dois comprimidos que poderão- ou não- te melhorar. Mas poderão piorar também.

Quando foi que as coisas ficaram tão difíceis?

19 janeiro 2008

Vanessa da Mata Boa Sorte/ Good Luck - Clipe Original

Outro final de semana. Dessa vez sozinho. Perdi um título e ganhei outro. O de solteiro. Engraçado que quando penso em ser solteiro acho que isso é um tanto 'over' demais. Como se existisse esse tipo de caracterização.
Mas de que adianta ter alguém quando o mal estar é generalizado? A verdade é que jogamos no outro a culpa pelo que nos incomoda e não conseguimos lidar.

Parece que podemos ficar melhor sozinhos passado o tempo em que ficávamos sufocados pelo OUTRO.

Alguns amores são realmente pesados demais para se levar. E por isso, talvez não sejam realmente amores. É difícil lidar com isso, mas é preciso saber ser UM inteiro sozinho para poder dividir-se com alguém.

Video pertinente: Boa Sorte Good Luck

22 dezembro 2007

Diálogo com Psiquiatra


Psiquiatra: Por que você me procurou?
- ando muito irritado.
psiquiatra: namora?
- sim
psiquiatra: quanto tempo?
- um ano e meio
psiquiatra: está tudo bem?
- não.
psiquiatra: Por que?
- eu ando neurótico de ciúmes.
psiquiatra: tem traição?
- hum... acho que não.... não deve ter não.
psiquiatra: Então termina.
- ahm?
psiquiatra: Termina. Não faz drama. Termina dentro de vc... nao liga mais.... se não te ligarem de volta é por que acabou faz tempo e você não percebeu... se ligar pra você e perguntar pq vc nao ligou mais diz que você também não recebeu ligação nenhuma.

21 dezembro 2007

Luxo Obsceno



Tem algum tempo que tenho pensado no luxo. Vivi um pouco dele por intermédio de outras pessoas. É como um buraco negro onde você é sugado como em todo tipo de vício. Você come em um restaurante onde te tratam como todo ser humano deveria ser tratado e isso faz muito bem. Compra algo que parece ter garantia eterna- algumas vezes realmente tem, e parece que o artefato ganha poderes mágicos.

Mas e quando esse luxo todo pagaria contas de alguém MUITO próximo que precisa? Aí vem a culpa, arrependimento, mesquinhez... e tem gente que diz que luxo é ser simples!!! Faz-me rir! Luxo é exclusividade. É um produto ser produzido artesanalmente ou em escala limitada e um monte de outros fatores que vão além do preço. E justificam o preço. Não uma peça de roupa produzida em uma fábrica como outra qualquer. Um bom corte justifica um acréscimo no preço. Mas tem 'acréscimos' OBSCENOS!!

O que é produzido de modo honesto, com empenho e luxo não tem como ser assim simples! Tem energia do criador envolvido. Tem material bruto que foi transformado. Tem conceito. É por isso que ARTE, custa tão caro. Quadros, cerâmicas, esculturas... tudo isso traduz luxo. Luxo são produtos de higiene pessoal produzidos através de processos ambientais responsáveis. É o uso de primeira linha, é o uso de muitas linhas e fios para um lençol ficar mais macio.

Luxo está longe de ser simples!

Mas é como Alain de Botton diz no Arquitetura da Felicidade. Quando você está triste, não há palácio, mármore ou adorno que mude a situação. E as coisas simples é que realmente estão ligadas à felicidade!

12 dezembro 2007

O que me dá?

Minha nossa! Chega 23h18 e estou aqui todo serelepe querendo aproveitar as 24 horas do dia e mais um pouco. Pra que dormir? Eu quero aproveitar meu computador novo como se fosse um óculos moderno com lentes mágicas que me fazem enxergar melhor.

Quero aproveitar fumar tudo que eu puder do narguile, depois de tanto tempo encostado na escrivaninha. É tão gostoso colocar a piteira de alumínio nova na boca e sentir esse cheiro bom. Essa fumaça que parece que entra, e quando sai leva um monte de coisas desgostosas junto.

Quero fazer lições do inglês on-line, jogar conversa fora no msn, procura uma pós-graduação, ajeitar as finanças com um orçamento para 2008, ler os blogs, tomar chá Tension Temer... será que tomei a finasterida hoje? Preciso procurar um endócrino bacana.

Os exames ficaram prontos e deu tudo okay. Gente, terapia nova no sábado. Gestalt, será que dá certo? Terapia com homem, sei não. Eles não costumam 'passar a mão na cabeça'....

Aniversário chegando. Nada programado, e, é melhor assim.

A Veja diz que tem que dormir bem. Eu li e acho que muitos dos meus problemas se resolveriam com uma boa noite de sono. Mas de pensar em deitar me irrito. De pensar que posso deitar e que vou ficar dando voltas na cama me irrito outro tanto.

E o horóscopo jura que Marte tá dando uma passadinha na minha vida para tudo se acertar. Mas Marte não é de guerra? Vai entender!

Quase meia-noite. Melhor dormir.

10 dezembro 2007

Líquidos


Inventei de querer fazer a Dieta de South Beach. Fui ao Wal-Mart com a listinha no bolso. No bolso ela ficou. Comprei um tanto de outras coisas que nada tinham a ver com minha idéia inicial.


Resultado: CULPA.

Aí decidi hoje que viveria de líquidos. Foi iogurte, diet shake, vitamina, caldo de feijão, suco, sopa de mandioquinha e agora no fim da noite estava um quilo e quatrocentos gramas mais magro.

Amanhã eu descanço e quarta faço novamente.

Isso porque meu peso extra é uma das minhas irritações.

01 novembro 2007

Dar cabo ou sucumbir às pílulas


Sobre pensamentos suicidas andei pensando noutra coisa interessante. Tem dias que parece que o melhor- para pessoas que sentem como eu- é o fim da vida. Dar fim a ela por si próprio fica parecendo difícil - por preguiça ou por inércia - demais. Mas uma coisa certa, se viesse a morte, seria em bom tempo.


Nào nego que pouco depois de minha avó morrer, pensei que poderia ter sido eu no lugar. Até porque eu nem me importo muito mesmo.

Ontem foi assim, pensei na Foice novamente. E hoje pensei quão incabível isso deveria ser, já que tinham coisas incríveis nesse tal viver.

Agora o pensamento de indiferença voltou. Com certa tristeza. Será que isso é um problema medicável? De certo que um especialista recomendaria um antidepressivo na hora. Mas ficar vivendo a base dessas pequenas pílulas parece pior.

08 outubro 2007

Sempre

Hoje é dia de dor. Dói um tanto que tomei uma, ou duas taças de vinho e mesmo assim nada. O máximo foi conseguir deixar algumas lágrimas sofridas saírem.

Conversando com um amigo - como sempre- ele disse
AMIGO: mas vc ja nao aprendeu?
AMIGO: vi vc sofrer pelo Fulano
AMIGO: pelo Ciclano
AMIGO: e agora por Beltrano
AMIGO: e será sempre assim?

Pois é, não se vai ser sempre assim, se vou mudar, se posso mudar...
Sei que minha vontade agora é ligar, voltar correndo, me sentir bem novamente. E isso seria não ter o mínimo de vergonha na cara. Certa amiga me disse uma vez que tudo isso é besteira, que é orgulho bobo e que eu deveria seguir minha vontade. Fiz no primeiro relacionamento, e duas ou três vezes neste último, que sequer teve um fim efetivo. E não parece ter dado certo. Sofro fazendo, sofro sem fazer. Sofro sempre? Será que sofrimento não tem fim?
Porque a felicidade sempre dá essa impressão de ser rápida demais e a tristeza essa eternidade aparente?

Estamos mais diretamente conectados às experiências infelizes do que ao desfrute da felicidade.
Stefan Klein


Só sei que não gosto disso e não consigo mudar em um estalar de dedos - embora tenha tentado até com ajuda de terapia OUTRA VEZ.

07 outubro 2007

Comunicações


Eu teria outros assuntos emocionais para falar hoje, mas optei por falar das nem tão novas tecnologias e os modelso de trabalho.

É muito interessante que tenho notado que diversos profissionais que trabalham com economia, administração, engenharia podem usar todos os recursos de internet e afins enquanto quem trabalha diretamente com comunicação, como com recursos humanos, jornalismo, assessoria de imprensa têm acesso bloqueado a MSN, Orkut, Gmail, Google talk, e-mails ... alguém me explica isso? Será que humanas é tão disperso assim que os empresário adoram brincar de big brother?

Essas questões me deixam um pouco assustado, mas não mais que pensar que o google une vários recursos e te 'sugere' usar todos com uma mesma conta. Parece que eles podem ter a base de dados mais completa e complexa que já se imaginou. Orkut+gearth+gmail+blogspot+o que vier por aí.... E quem disse que isso tudo fica só pela internet?

O Kassab está promovendo um aparelhinho, como o Sem Parar, para ser obrigatoriametne colocado nos carros para monitorar velocidade entre outras coisasque é monitorado por satélite. Quer dizer que o pessoal do trânsito poderá saber onde nosso carro está indo, quando está se movendo, os destinos, tudo com uma rapidez íncrivel?

Será que o mundo é suficientemente ético e não pré-conceituoso para isso?

Faz pensar...

01 outubro 2007

imperfeições

Certas coisas na vida irritam um tanto. São como as decisões que fogem ao controle. Sofrimentos por fim de relacionamento continuam sendo algo que ficam - na minha escala de dor - em segundo lugar. Em primeiro é a depressão, claro. Que doído era aquilo.
mas coita d'amor é assim. Eu posso ler todas as teorias sobre o amor romântico, que vez ou outra, ou a maioria das vezes esqueço tudo e o meu eu mimado fala mais alto e só quer um pouto de conforto novamente. E quem disse que isso é errado?

Porque é errado? Hein Hein?

Só pra constar, assim eu não esqueço:
um querido que carioca paulistano me disse ainda agora

foge CORRENDO deste I M B E C I L


e ainda completou:

essa pobre criatura q vc descreveu não merece nem ser seu amigo..não antes de uma boa terapia

19 setembro 2007

Irritante x Ansiedade

O que acontece nesses dias em que aparentemente quase tudo te irrita?
Acordei para ir trabalhar, hoje mais cedo já que tenho inglês e preciso compensar o horário de trabalho. Quando olhei no relógio me irritei por não poder dormir uma hora a mais. De cara lembrei do artigo da Soninha Francine, na Vida Simples, desse mês onde ela diz que mais vale acordar logo, afnial esses poucos minutos a mais não vão fazer a menor diferença, do que passar mais algum tempo na cama. Mas não foi convincinte e acabei ficando na cama mais meia hora- sacrificando o inglês eu atrasando o trabalho.

A irritação é tanta que mal consegui pesquisar na internet sobre como controla-la e já me irritei. Tinha alguma coisa falando de relaxamento, bom humor e até um inter-título dizendo Resolver seus problemas. Oras! Se eu soubesse quais são eu já teria pensado em resolvê-los.

No metrô a distância me irritou. Chegando no trabalho a falta da minha chefe idem, afinal me senti perdido. Agora pouco, tentando fazer as lições do inglês fiquei novamente irritado e por fim, enquanto fazia a chatisse da lição o notebook (novo) deu um daqueles erros que a tela fica azul, e o resultado nem preciso dizer:

IRRITATAÇÃO!!!

Agora olhando para o relógio vejo que o tempo está passando e eu continuo irritado. Ou mais, ansioso e angustiado. Angustiado porque preciso ir dormir, mas não quero, senão acabo por não fazer nada, inclusiveescrever no blog. Depois porque o meu affair está em uma casa de chá e eu estou despeitado pois queria conhecer esse lugar. Depois ainda porque estou tomando chá aqui e irritado. Não tem frontal (ou outro tarja preta qualquer) que resolva esse caso. Valha-me deus!

ps. de quebra ainda fiquei esbarrando no touch pad enquanto escrevia esse texto e confundindo tudo.

Vou é tantar dormir! Mentira, a quem estou querendo enganar? Ou leio, ou fico no computador. O que é o mais provável. Passar mais tempo nesse gerador de ansiedade. Credo!

09 setembro 2007

Grego de lamber os beiços

No meio de uma visita ao Bom Retiro, uma parada estratégica no restaurante grego Acrópoles surpreendeu pela boa comida.

Quando se chega lá parece um restauranteco desses chinfrim pra comer um PF. Mas dando um pouco de crédito você vê que não é bem assim.


Fui de polvo ao vinho e lula recheada + risoto à grega. Parecia que o prato era preparado ali na cozinha da Nonna pelo Nonno.


Confesso que não aparentava ser bonito, mas foi de lamber os beiços!

O lugar, que existe desde 1959, fica na Rua da Graça, 364, Bom Retiro - Centro - 3223-4386.

04 setembro 2007

Isto é Brasil

Cobrir eventos tem dessas coisas, deparar-se com Ana Gelinskas fazendo performances no grupo Isto é Hollywood chega a ser um tanto divertido. Melhor é ver a expressão de alguns senhores no evento desacreditos com os peitos tatuados da moça.
Para quem não lembra da loira, ela costumava ficar em algumas portas de boate. Nem sei se ainda fica.

21 agosto 2007

Cartilha

Fazendo Back Up das coisas mais pertinentes para serem guardadas encontrei esse arquivo quye chamei de cartilha. Tem tudo a ver com quando nosso relacionamento amoroso já está comprometido mas insistimos em nos auto-enganar dando desculpas 'românticas' para tudo: "ele não quis dizer isso", "eu entendi errado", "ele está se esforçando", "o problema é fulano que está sempre no meio de nós"... e na verdade estamos viciados/acostumados com essa pseudo relação. A cartilha tinha coisas específicas, outras servem para todos na mesma situação

02/ AGO / 2005 – MÊS DO CACHORRO LOUCO
Para aprender a não sofrer:


Eu não quero, com 37 anos, ser doente como alguém.

Esse momento existe com um vício!

Pedir a Deus bons caminhos: “Me dê ajuda Deus que eu vou prestar atenção.”


Lembre-se:

Ele é capaz de manipular mesmo!! JOGA O VENENO PARA O OUTRO MORRER!

Ele promove no outro o que ele tem para viver. Não vive. Projeta no outro.

Não devo ir a lugares de baixo nível. Não combina comigo.

Não amoleça mesmo que durma uma noite em cima.

Ele não é ele. Era um pedaço de mim.

Quando começar a ficar curioso SAIA FISICAMENTE DO LUGAR!



Não confesse com amigos, com eles divida as alegrias.

14 agosto 2007

Tristão e Isolda



Uma historinha interessante que li no livro We, de Robert Johnson:

Conta o mito que Tristão nasceu com esse nome por ser filho da tristeza. Sua mãe perdeu o marido pouco tempo antes do nascimento do amado filho. Anos mais tarde Tristão fez a côrte a Isolda. Mas, na verdade queria levá-la para seu reino para que se casasse com seu tio, Marck. Acontece que no meio do caminho Tristão e Isolda beberam de um vinho enfeitiçado e acabaram apaixonando-se perdidamente. Imagina a confusão que deu no Reino !!!!
O interessante é que em dado momento, quando Tristão decide devolver Isolda para o Rei e Isolda decide deixar Tristão voltar a ser um herói, as palavras que ele diz a ela são:

"Senhora, onde quer que meu destino me leve, enviar-vos-ei mensageiros, e caso venhais me buscar, virei a vós, não importando a que senhor eu esteja servindo, não importando quão longe eu esteja."


Quando estamos embriagados com o vinho aben/maldiçoado não nos damos conta que é isso que esperamos do outro. Esse amor intenso, descomunal, arrebatador e todos aqueles outros adjetivos que as publicações, que levam o título de Sabrina, adoram usar.

O que queremos é entrega total, que o outro abandone o que estiver fazendo para dar um 'oi, saudade de você' no meio do dia. Okay, fazer isso vez ou outra deixa a ambos plenos. Mas ficar esperando por essa ligação inesperada desconfigura totalmente sua ação e a relação. Neste momento, perdemos a alma. Sim, porque segundo o autor do livro procuramos a nossa 'anima' fora, e materializamos no outro.

Acontece que 'anima' não é pra ser colocada fisicamente. É para o plano etéreo.

Se você se atêm a esse tipo de informação na hora da crise, fica mais fácil não sofrer. Estar com alguém não deve ser desesperador ou entediante, deve dar certa estabilidade.

Segunda à sexta-feira


Desde a crise de depressão - ainda hoje - todos os dias ao ir para o trabalho, tenho vontade de parar e desistir.

Mas continuo andando sem muito pensar.



* foto de algum outro blog que já perdi o endereço

01 agosto 2007

0

Lidar com final de relacionamento não é das tarefas mais fáceis. Decerto que a tristeza e a saudade demoram algum tempo para passar, porém transformar o luto da interrupção de uma relação e a dor em pauta de 100% dos nossos dias - por mais que o necessário - e assumir uma postura masoquista de baixa-estima por si mesmo é um desrespeito consigo mesmo.

Um amigo me disse que se 1 termina é porque é melhor para os 2. Acredito que ele tenha razão. Uma relação comprometida tem quase nulas chances de dar certo.

22 julho 2007

Flex Cinzenta

Inauguração é sempre algo que me interessa. Porém nem todas têm sucesso. A nova Flex, inaugurada no 1767 Hall parecia uma re-edição da The Week sem a piscina. Só senti falta de um pouco de verde. Uns poucos coqueiros davam o tom de jardim no lounge. Quase um jardim de inverno.

O espaço é inrteressante, o público bem mix (gays - barbies, emo´s, moderninhos, nerd´s , feios, bonitos - heteros - solteiros, em par, entre amigos...) só fico realmente espantando como as pessoas deixam a novidade da inauguração se transformar em desculpa para falhas.

Pois é o som falhou! lá pelas 3 da matina. E parecia que estávamos em uma imensa pista ouvindo o som vindo de uma pequena caixa de som ligada a um iPod. O barulho das conversas superava o som e o lugar estava um tanto claro demais- o que eu achei ótimo!

Mais um lugar para sair é sempre bem vindo.
I don't believe in history
I don't believe in truth
I don't believe that's destiny
or someone to accuse.
I don't believe reality would be
the way it should
But I believe in fantasy
the future's understood

Franka Potente


Conversando com uma amiga, em um encontro furtivo no Vanilla Caffe, discutimos que não existe realidade. Tudo é apenas uma percepção pessoal da realidade.
Sempre achei isso balela de filósofo que ganhava a vida para ficar divagando e criando teorias sobre a vida e as coisas dela. Hoje sei que é verdade. Esse é um princípio fundamental para não existir pré-conceito.

A visão que as pessoas têm da vida é algo que não podemos deixar de aceitar. Mas podemos discordar e estabelecer alguns parâmtro para vivem em sociedade.

Tudo pode, desde que você tenha em mente que poderá ter consequências.

Mas voltando a questão da percepção é interessante como sofremos por analisar sempre as coisas - principalmente em relação aos relacionamentos amorosos - de maneira micro, o que leva na maioria das vezes a estados desastrosos. Se nos voltamos para a questão macro. Vendo que a vida tem muito mais facetas do que as relacionais nos sentiremos tão melhor!

Gente

Seguindo o conselho da nutricionista, hoje foi para o supermercado comprar alimentos saudáveis e nutritivos para a semana. Iogurte, pão integral enriquecido, peito de peru light.

Dessa vez estava sozinho- geralmente estou acompanhado, pouco coisa faço sozinho mas é tópico para outro dia - e pude notar o quanto existiam ali casais homossexuais.

Alguns deles compravam descompromissadamente coisas para o dia-a-dia, outros compravam bastante bebida alcólica, provavelmente para fazer o 'esquenta' para a balada de mais tarde - afinal hoje é sábado. E tinha ainda os que junto com as bebidas compravam petiscos, provavelmente aqueles que iriam receber outros amigos. Claro que tinham osque estavam um olhando de soslaio para o outro porque o primeiro tinha secado demais um bonitão que pasava. E a melhor disso tudo? Nitidamente toda a gente percebia os gays ali. E não alterava nada...

Gente normal.

17 julho 2007

Callas mortas


Chega o dia em que, assim como tudo que tem vida, a vida se esvai. As callas já não mais vivem depois de um ano de apreço e construção. A falta do sol, e não atenção a esse mero detalhe vital coloca tudo a perder.

É o egoismo de quere todo o sol só para si. E não oferecer um pouco sequer a callas esverdeada que começa desfalescer nos dias de frio.

Aparentemente ela se foi. Nada de callas por hoje. O sol sequer aparece. Parece punir o egoísmo.

Quem sabe amanhã o sol se lembra de mim.

Negociação

Vivendo o mundo de Entidades e o mundo Corporativo passei a transpor essas realidades para a vida inteira. Achei interessante perceber como o tempo todo vivemos de negociação. Mães que negociam com filhos e não necessariamente impõe autoridade. Negociam com autoridade, o que é outra história; irmãos que negociam com os irmãos; namorados que negociam a relação - e quando não negociam não dura muito tempo; amigos que negociam o que abertamente ou velado- primeiro a negociação é aberta, quando cansa e não vale a pena discutir, ou seja, a troca não é vantajosa parece que perdemos a vontade de barganhar e aí acabamos boicotando o outro até chegar ao fim.

Quando certas negociações não dão certo, parece que é hora de voltar, de analisar os impedimento - se é que aquilo te afligiu - e priorizar você na história. Decerto isso é muito difícil para os tipos 'almodovarianos', aqueles que dramatizam e triplicam as dores e sensações. Mas, aprende-se.

19 junho 2006

Ilhas Caribenhas



Algumas coisas simplesmente acontecem. Uma pessoa nova que surge. Duas callas unidas por um rústico fio são entregues na noite seguinte. Um mimo esverdeado. Duas callas esverdeadas quase brancas. Mas nada de ceder por enquanto. E na noite seguinte. Sem callas brancas, sem trilha sonora de Dussek um quarto espelhado e a sensação de ser uma ave em um ninho que não me pertence, mas que não pertence a ninguém.

Há tempos sem saber que voô o pássaro faz, que ráfia une as duas callas, que callas, que nada. E foi-se! Lembrar é fácil, e mesmo assim não foi bom nem ruim. É isso o que eu quero? Voltar a ser assim? Ou não pode comparar de fato o que duas pessoas mostram que são... Inseguros mesmo aos trinta. Callas, Caribe, Chocolat Du Jour, patada, Fiat, dote... e outros tantos diferentes, nem tão esverdeados, algumas duras sensações de mimos futuros, de custos, de lei de retorno, de inseguranças aos vinte e poucos anos... e inseguranças aos trinta e poucos... de tão iguais ... de tão entregues e tão ressabiados.

As callas já estão abertas. O tempo dura o tempo que as callas esverdeas e brancas abertas durarem. E aí é hora de ponderar... sem espelhos... sem callas... sem Vitos ou san Vitos, só eu e minha eternidade aberta.

26 abril 2006

bureau


acho que ontem mesmo eu tava pensando que se as pessoas se tocassem como é a vida.. e que ela acaba e não tem sentido... acabariam se matando.... a grande maioria....

17 abril 2006

Colo de Samantha


Abaixo do céu todo mundo é sujeito. Nessas horas não há um pessoa bem resolvida. Escrever sobre a falta de colo em um episódio terrível como esse.

Poucos conseguem recordar - depois de ter passado – de um absurdo e desesperador acesso de DOR DE DENTE.

- Ou no meu caso, pior: dor de DENTES! São todos eles a doer de uma só vez.

Voltei da Páscoa pensando que tinha que ir ao dentista. Fazia tempo que não ia. Que dentes como os meus- pequenininhos e separados- podem passar despercebidos, mas quando dão sinal de vida é por necessidade mesmo. Logo na segunda de manhã marquei a consulta para o dia seguinte. E como sem avisar o bruxismo gritou e no fim do dia todos os dentes doíam. E agora doem.

- AHHHH!!! A dor se torna mais dor quando não se tem um colo por perto baixar a cabeça e agonizar, e receber afagos que sequer percebemos de tão imersos nesse sofrimento, e lembrar que alguém se importa.

Aí você lembra daquele antigo romance, o antigo namoro que nessas horas não parece tão complicado. E você deixou passar, e terminou por bobagens. E agora, no meio da sua dor de dente alguém podia estar segurando sua mão. Esse alguém poderia estar dando remédio. Poderia te levar a um dentista 24 horas.

- Aqui perto de casa tem um desses. E eis que..

Wow! O que uma outra mão pode fazer que nós mesmo não podemos?! Essa mania de nos deixarmos vulneráveis a nós mesmos. Para que isso? Talvez por compaixão, para o outro se sentir útil. Ou quem sabe por sem vergonhice nossa mesmo!

E então você consegue tirar o véu dos olhos – se quiser é claro- e lembra que por vezes sofreu calado por não darem valor ao que você gritava. Outra vez porque essa outra pessoa não podia – e por uma boa razão - te acudir justo naquela hora. E até mesmo por não querer mesmo te ajudar.

E como você saiu disso, antes de lançar na cara do outro que não foi ajudado “quando tanto precisava”?

- Lanço mão de um Anador. E a dor não passa. Ah Senhor Desespero.
Mais um.... meia hora depois.... ceda vai... ceda só mais um pouquinho que amanhã às 9 tem dentista.

10 março 2006

Paige


"no amor não existem inocentes, apenas vítimas"

03 fevereiro 2006

Moonlight


What About The Moonlight

You 're telling me
You don't want to be
Had enough of life
I see your shoulders
Falling at the mountain
You once loved to climb

Don't you wanna talk about it
Well saying that there's no life
Left inside you

Chorus:

What about your loves?
What about your dreams?
What about the change tomorrow brings?
What about the moonlight?
What about the way you sigh?
When it touches you?

On your knees in the teeth of failure
It's got you gagged and bond
You say it's killing you
But listen now I'm telling you
Your better days are to come

Set your site on simple beauty
Like the way that my eyes shine
When I'm around you

(chorus)

Nobody said it would be easy
To take the fall and stand
Just wrap your arms tight around me
And we'll stumble together
Until we learn to dance

What about your love
What about your dreams
What about your life?
What about your dreams

02 fevereiro 2006

Tratado sobre a Morte


Ontem o dia foi difícil.

Não passou não. Eu continuo com meu pensamento lúcido de que a vida tem que ser uma escolha. Eu não sou obrigado a viver. E aí entra em jogo algo que eu encaro que seja meu tratado sobre a morte. Funcionaria assim: o Budismo prega o desapego. E eu aceito que isso seja um caminho para o não sofrimento. Então se um dia você está certo que a vida não vale. Que não te vale. Você entra em uma pequena cabine telefônica. Coloca uma moedinha. Escreve, ou fala suas senhas de banco para o pessoal da funerária e ativa a máquina. Aí você sente um cheiro de flor. Vai ficando calmo. Até que dorme para todo o sempre. Se no meio do caminho você se arrepender, é só gritar, ou apertar o botão vermelho e tudo pára. Senão continua como tem que ser e você morre.

E é isso que eu tenho desejado com todas as minhas forças.

Como o Ramon, quero ter o direito.

O texto original foi publicado em 02 de fevereiro de 2006, dezoito anos depois, a BBC publica:

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4gl8jzrl83o

A cápsula Sarco, por outro lado, funciona ao ser preenchida com nitrogênio, o que reduz rapidamente os níveis de oxigênio. Isso faz com que a pessoa dentro perca a consciência e morra em cerca de 10 minutos.

A cápsula é ativada por dentro e possui um botão de emergência para saída.


Se você está passando por depressão ou tendo pensamentos suicidas, ligue para o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo número 188. As ligações são gratuitas em todo o Brasil.

31 janeiro 2006

La notte



La Notte Etterna
Emma Shapplin

Nos teus braços
Depositei a eternidade
Minha vida

Você em outro mundo
Sonha com outra chama

Mas não sei a quem pertenço
Na margem morta
Do meu estado infeliz
Estado infeliz

Quem não mais vê o céu
Tem um coração tenebroso
Como quem tanto olha
A noite eterna
Salve-me

O que
Sabe de lá?
Perdida, febril
Desejada

Onde...
Onde você está?
Exila tua presa
E espera

Mas não sei a quem pertenço
Na margem morta
Do meu estado infeliz
Estado infeliz

Quem não mais vê o céu
Tem um coração tenebroso
Como quem tanto olha
A noite eterna
Salve-me

Quem não mais vê o céu
Tem um coração tenebroso
Divago, divago...
Salve-me

30 janeiro 2006

e-mail, e-deixe se morrer


Morri um pouco esse final de semana. Experimentei coisas que me dariam asco noutros dias. E mesmo assim aqui estou. Mentamente abalado e deixando-se sobreviver. E pedindo perdão a você por te deixar morrer também um pouco.


Nesse algum tempo me incomoda o fato de deixar que as cousas sejam assim. Ou tenham sido assim. Que me importa o passado ou o futuro? Me incomoda o presente. O agora assim, instável e não como deveria ser.

Eu, não posso fugir tanto da realidade concreta das coisas. Você também não pode. Devemos nos fixar em alguma equalização surda, e deixar-se viver.

Hummm, tem um tom perdido, nostálgico, triste e quem sabe até depressivo nesse e-mail de hoje. Mas eu só quero que hoje... o dia termine bem

bjs de alguém que não relê e-mails aos amigos

16 janeiro 2006

Coca Tea

Um velho decrépito e desnudo em seu retângulo frio coberto até o começo do pescoço por apenas um cobertor verde e surrado. Sua coroa era um resto de cabelo fino branco que corria do fim da testa até perto da nuca. Rosto marcado por grandes vergões rubros e um olhar fixo. Parado. Era como se sua alma não estivesse mais por ali.

E subia aquela vontade de deixar duas gotas opacas pela face.

O velho, a neta atrás. Ela não parecia querer que ele fosse. Segurava com força um caderno onde dizia ao médico energeticamente: “Ele tomou dois comprimidos. Não surtiram efeito dessa vez... Acho que se tentássemos...” E sumiam pelo corredor. A neta, o médico e o velho. Diziam que ele estava por ali. Não estava.

Cheguei em casa. Entrei no orkut e me ‘filiei’ à comunidade SIM, A EUTANÁSIA. Como se o orkut concretizasse o meu desejo de não chegar àquele estado.

RL

Pic stoled from deviant

04 janeiro 2006

Pavilhão 06

Meu frio espaço branco peço alguns poucos minutos amarrotados do seu relógio romano.

Neste algum tempo compartilho minha alusão ao veneno escorrido que não foi expulso por inteiro.



Todas as noites ao deitar no meu retângulo macio, antes de dormir penso que alguém existiu. Lançou em mim sua traiçoeira ratoeira armadilhada.

Tornou nascido para mim por ter eu desejado daquele jeito. Sem saber pedir o palatável fecundei o doce enjoativo apodrecido do meu tempo de menino.

Alimento decrépito decompôs no esôfago sem que consiga sequer um único dia passar sem irromper a lembrança saudosa e esquecida n´aquilo que me embriagou vicioso.

Dizem o tempo do apaixonar-se ser o mesmo para o desenamorar. Acredito que o tempo corra faceiro para o passado desmanchar no ar. E corre presente afobado. Sem espaço vazio a mudar.

Aí desmanche tinta. Líquido escuro e viscoso biliático. Humor negro. Morto amor.

E manche, tinja-me a alma. E me deixe... com meus pavilhões vazios e meus exércitos mortos...

[e me esqueça.


RL

19 dezembro 2005

Anti-falta

Já tem algum tempo que escrevi isso. Mas foi nesses últimos cinco meses. E como ontem foi um dia que tudo foi retomado. Eu, comigo mesmo. Posto acá com uma foto roubada do Rapha.


Anti-falta

A falta que você me faz é a única falta. Lembrar do que me faltava quando eu tinha tudo e acreditava sentir a falta de algo.

Hoje, na sua ausência, consigo perceber que o que eu precisava era um pouco mais de mim mesmo. Eu esse, cárcere da falência de sentimentos sentidos.

Da paciência negra que me consumia e te agredia. Do porvir de esperar a doce nova fase envenenada que nos aguardava.

Tempo esse transformado em uma grande enfermidade. Dissecou e Prometeu deixar apenas o pó cinzento rouge dos nossos ossos.

E é isso que hoje eu sou. Sou a lembrança de uma doença que procura pela falta de sua, a minha, auto-defesa.

Naquela vida, não havia nada senão fuga, sedação e um véu de zelo.

Era ficar deitado na escuridão dos dias claros à entrega de uma liberdade que submete a agirmos como marionetes de sentimentos alcoolizados.

Hoje, ao menos afasto da muralha embriagada e me aproximo dos tempos coléricos arranhados de uma consciência qualquer.

28 novembro 2005

E pur se muove

Copiado do blog tem...:

Acabei com Sartre e descobri algo sobre os jovens- me incluo.

"...são incapazes de fazer a felicidade de alguém, mas são igualmenhte incapazes de dar o fora, isso ainda é muito difícil para eles..."

********

E neste exato momento da noite eu digo:

- Estou parado.

"Todo o desenvolvimento redunda em velocidade"- Helóisa Lúcia.

Sendo assim, estou estagnado.

05 novembro 2005

Veia Astragalia


Enquanto mexia em meu astrágalo encontrei uma veia nova. Uma veia não preta, não roxa. Púrpura. Púrpura azulada. Um pouco acinzentada talvez.

Coisa estranha essa veia. Fica lá, parada, imóvel, como se estivesse orando e agradecendo aos deuses coisas boas. Não pulsa. Não salta. Não contrai, não nada.

Quer será que pensa essa veia para ficar assim parada? Não pode rezar tanto tempo assim.

Dizem que as veias são como as estradas para o sangue passear. E quem disse que nas estradas não há vida? Há estradas com astragali, então as veias também.

Quando decidi então interromper a oração da minha púrpura veia, ela sumiu.

Vai minha veia querida. Volta para o seu astrágalo.