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17 julho 2012

Soltar as rédeas dos sentimentos


Tomado de assalto revistamos i lugares-comuns e sentimentos. Inícios são sempre inícios. Um pedaço de vida apanhado. Uma mudança sistêmica nas tomadas de decisões. Será dar o tom deixar tudo como até pouco tempo e apenas ser-estar?

Doação significa algo diferente de consideração. Abrir mão é diferente de partilhar. Algumas vezes fazer sorrir não é o suficiente. É preciso serenar. Quando estiver no limite da autopreservação deverá soltar as rédeas dos cavalos dos sentimentos e deixar cavalgar.

No início o trote pode ser dolorido. Não tarda e a cavalgada parece saltos nas nuvens mais celestes.


Caso cavalgue em um cavalo selvagem, lembre-se, ele pode até ficar próximo para agarrar um torrão ou dois, mas, sua natureza é de pastar longe do bando. Perto das colinas, por entre as matas. Distante do que não tem certeza que possui. Só o que possui são seus próprios cascos. 


Assim que os cascos tiverem endurecidos devemos calçar ferraduras. Mais uma vez o trote vai ser dolorido e o equino arredio. Pra isso servem as aulas de equitação ou as dicas do cavaleiro experiente: junte os dois joelhos pressionando na cela. A força reside ali, não nos pés calçados nos estribos. 

Algum tempo assim e, logo, você descobrirá uma força e um controle que sequer imaginava. O cavalo jamais será domado. Já o cavaleiro poderá sentir-se um pouco mais seguro.


04 setembro 2011

Meia vida


Como é voltar a não dividir a vida?

Não é preciso muito tempo para nos acostumar à presença de alguém que tivemos convivência doméstica. Cinco meses foram o suficiente. Acredito que a duração dos  relacionamentos deve ser contada em anos. O resto é carência ou experimento.

Sempre insisti em dar certo. De uns tempos para cá parei com isso. Diminui de três anos para dois, outro de dois e meio e um último de dois. Os dois últimos nove meses e cinco meses respectivamente. Cada um com uma particularidade. Confesso que resultaram em amadurecimento. Tanto para buscar histórias melhores quanto para não machucar pessoas.

Quanto mais querida uma pessoa, menor a vontade de machucar. Terminando ou terminado, o fim é sempre difícil. Como lidar com o vazio?

Quando temos alguém, pensamos nossa agenda baseado em mais uma opinião além da nossa. Outra vontade, outros desejos, compartilhados ou não, buscamos equalizar as decisões.

Já sozinho, as decisões são exclusivamente nossas. É o que nós queremos, quando queremos e como queremos. No começo isso parece inadequado e até errado. Como posso eu sair à noite sem pedir autorização ou avisar outra pessoa? Como posso não ter alguém a quem me dirigir?

Acostumar-se à liberdade é penoso. Imploramos quase que de joelhos para sermos controlados. O tempo todo. A decisão é sempre nossa. Difícil é decidir por ser livre. 


06 dezembro 2010

Caleidoscópio d´ouro


Algumas cores nem sempre conseguimos identificar. O arco-íris subitamente se desfaz no ar e as nuvens se juntam como quem esconde o pote de ouro. 

Quando você tem um pote desses com muitas pepitas, não é difícil as nuvens serem refletidas no pós-chuva. Desejadas. 

Se você quer o metal todo só para si, corre o risco de ficar sem arco-íris. Se apresentar o pote ao sol, também corre esse risco.

Sempre vai existir uma reação química, social, emocional em tamanho Único. Sempre vai existir a cauda longa. Em todo o tempo haver também um caleidoscópio a fragmentar as cores e reuni-las na outra ponta. Desde que você arrisque olhar.

Essa é a imagem da amizade, das redes de relacionamento e, por que não, do amor.


13 julho 2010

Respirar

Hoje o vento falou comigo enquanto soprava por entre as árvores. 




Passava tímido e movimentava as folhas verdes vivas deixando os raios de sol tocarem meu corpo.

Lágrimas escorreram como luz que caia dos olhos e iluminaram meu rosto.

Sei que minha respiração é de verdade... é meu coração que pulsa sangue e faz meu pulmão se contrair e expandir. Respirar. Re- expirar. Expulsar o ruim e inspirar o bom.

O sol vem falar a verdade. Sentir isso é meditar.

Para as estrelas, prometo cuidar de tudo. Sempre.

Pic: Copyright Todos os direitos reservados a Choi_zan

25 abril 2010

It´s all ´bout Love Or all ´bout ego?

A cultura pop diz “is all ´bout Love”. Mas o amor deixou de mover o mundo há muito tempo.

Espaçadas vezes o tal Amor volta a aparecer. Em uma catástrofe consumada, nas promessas de alguma filosofia religiosa, na miséria que está o mais distante possível – em outro país, continente ou ainda na esperança espetacularizada de algum show para arrecadar fundos para ajudar qualquer uma das anteriores- e viva a sociedade do espetáculo (Guy Debord que o diga).

Já arrecadar. Palavrinha curiosa. Remete aos tempos bíblicos do fisco malvado ou ainda dos tempos atuais e os tributos sorrateiros. E tudo vira comércio. Vira empresa. ‘É o econômico que determina o social e o político’. E seriam os relacionamentos diferentes? Ou seriam também esses arrecadações de fundos para o ego?

Sagitarianos não podem ter controle sobre toda a situação, pois se acomodam; geminianos juram não envolvimento para aí sim poderem se envolver; librianos têm a serenidade de deixar claro: “se não for você, será o próximo”...

O que é melhor para mim?
E para você?

O jogo do ‘eu não estou fazendo jogo’? A honestidade assustadora que faz o outro correr? O círculo nada virtuoso do quem muito apanha aprender a bater e depois esquece de como parar.

Algo me diz que o comedimento que angustia e depois premia tem parecido a melhor pedida. É o ligar sim. Mas sem insistir neuroticamente. Quem opta por nunca insistir acaba ficando com o mais fácil. Nunca estar disponível. Pois então, insista. E, se ao final, não der certo, não era pra ser e da próxima vez vamos nos angustiar menos.  Entenda como “ele apenas não está afim de você”.

Exista como alguém que se arrisca. Arrisque ser feliz. Caso alguém diga que felicidade não existe, invente a felicidade como Mark inventou a mentira no curioso “A Invenção da Mentira”.

Você consegue imaginar um mundo em que todo mundo fala a verdade? Isso mereceria um post inteiro sobre....



14 abril 2010

Dois


Podia ser poema,letra de canção, soneto, prosa ou verso.
Mas não. São dois espaços de texto divididos por uma linha só. Dois espaços de tempo, de dois iguais, diferentes pela forma que dividiram o seu próprio tempo.

Eu, moro no 2º andar. Ele, também.
A terapia é no 2º andar e, é na 2ª-feira o dia que temos mais tranqüilo para nos encontrar.

Dois, que serão para sempre dois. Mesmo quando são um, são verso e poema, são únicos e normais: UNI-verso
Que continue dois. Porque um, vezes um, continua um.
Já dois, vezes dois, multiplica, e viram quatro. Vira mais. E progride.

Dois é tato, paciência, companheirismo e multiplicação.
Dois, somos nós.

05 abril 2010

Sobre guarda-chuvas

Caminhos simplesmente existem. Não são desbravados. Alguns conseguem enxergar uma trilha em que ainda não existem pegadas e serem verdadeiros Casanovas que seduzirão e descartarão até o fim dos tempos. Limpam matas e resistem às alucinações do deserto até seu destino. São obstinados. Outros pegam trilhas prontas e aceitam os frágeis troféus por merecimento ao final do dia.

Existem ainda os que nasceram sem senso de direção aparente. Vivem. Pegam seu guarda-chuva e saem mar adentro correndo o risco de encontrar o caminho das Índias. Correm o risco de não achar a Índia mas, um novo mundo. E ainda assim, correm o risco de voltarem ao ponto de partida em seu velho mundo novo. Mesmo sabendo afinal que depois de ter viajado nada será igual no retorno.

Os que saem com objetivo, mas sem certeza de norte ou sul, sem roteiro ou rosa dos ventos, encontram em sua jornada outros iguais. Com ‘protetores-de-chuva diferentes’, mas com um interesse em comum.

O guarda-chuva mais extravagante chama atenção. Serve para ver de longe. O discreto e elegante preto de bolinhas brancas prêt-à-porter pede aproximação. O ordinário preto, tradicional, aceita o sim e o não. O vermelho desbotado esbanja uma sedução abarrotada que não convence aos olhos dos mais despertos.

São muitas opções pelo caminho. Inclusive a opção de não se aproximar de guarda-chuva algum. Seres humanos não nasceram para viverem isolados. É instinto de sobrevivência. É cada um ajudar o outro no que lhe falta e contribuir. Quando seu guarda-chuva quebra, aquele delicado e despretensioso prêt-à-porter guarda em si a possibilidade de continuar a jornada menos molhado e, com o aconchego da aproximação.

Então, é preciso não se perder. Quando a chuva pára, os guarda-chuvas são fechados e colocados juntos. Dando a falsa impressão de que qualquer um serve para a próxima jornada e sua eternidade aberta.

03 abril 2010

Participação I: Parte na Ação e nível de comprometimento

Está com preguiça? Leia só o negrito:

Não entendo o comportamento de alguém que dá sinais espasmódicos de interesse. Não é isso que eu quero. Quero sinais reais e contínuos. Quero um pouco de calma, de paz de espírito.


Ficar bem comigo mesmo. E quero alguém que tenha fala – ação - reação condizentes. Pode até ter um certo ‘delay’. Mas as ações têm que ser assim, condizentes.


Eu não me dedico pouco. Dedico-me de verdade. E o interesse romântico entra na minha lista de prioridades junto às demais prioridades.


Não o encaro como premiação para o fim do dia. Isso seria retroceder ao ser e ter uma mulherzinha em casa.


Minha intenção não é ser troféu por bom comportamento de alguém. Nem ser o príncipe encantado que parecia perdido no mundo descartável que engoliu os contos de fada.

Hoje o Príncipe (reparem que ele nunca tinha nome marcante) da Branca de Neve estaria subindo nas tranças da Rapunzel. E o Príncipe da Bela Adormecida estaria dando boa noite Cinderela para a Gata Borralheira enquanto o Sherek percebe que o fato do Bambi ser um veado não é impeditivo suficiente para não começarem um romance às escondidas da Fiona.

Sei que eu não quero ser Rei nem Rainha. Não quero ser vassalo nem sua prometida, filha do fiador das roupas do rei. Prometida acorrentada e abandonada enquanto o leal guerreiro defende um Rei que ninguém tem coragem de dizer que está nu e seu reinado está sendo invadido pelos bravos que fundam uma religião Anglicana porque, Henrique VIII cansou de Catarina de Aragão e sucumbiu aos encantos de Ana Bolena.

Não me interessa se Cleópatra, à espera de César e depois Marco Antonio cansou de enamorar-se com seu único alento- seu escaravelho - e acabou por colocar fim à própria vida.

Nem quero ser uma Simone de Beauvoir que se esforçava em não importar-se com a multi-ação de Sartre em defesa de um feminismo que, potencializada, gerou a masculinização da fêmea.

Quero ser um personagem-diretor que ainda não foi inventado. Talvez por isso tenho tido tanto trabalho na seleção dos papéis. Mais difícil do que lidar com escalação é a frustração ao perceber indícios e avisar, no meio do ensaio, que não vai dar certo:


- Obrigado pela parte em que você participou da ação.

Sinto muito não poder contar mais com sua participação.

Ou, ainda pior que isso é poder estar enganado sobre suas próprias percepções e descobrir que Fred Astaire sabia sim dançar, que ser ligeiramente calvo e a impressão de que não sabia interpretar estavam erradas.

18 fevereiro 2010

O fim do Carnaval 2010 e a chance de inícios de relacionamentos - floKriEanoGpHóBlis


Os posts sobre relacionamentos não têm fim. E lá vou eu depois de uma temporada relâmpago em Florianópolis. O sul do país continua lindo. Ainda mais na praia certa, com as pessoas certas e no clima certo.
Então, entre uma página e outra de Alice no País das Maravilhas (na versão com ilustrações de cartas de baralho do Luiz Zerbeni) me peguei lendo a seguinte frase: “Bem, talvez a sua maneira de sentir as coisas seja diferente- disse Alice. O que eu sei é que tudo isso ia parecer muitos esquisito para mim”.
Fechei o livro e uma frase martelou por minutos a fio. Talvez eu sinta as coisas de um jeito diferente. E talvez seja diferente de todo mundo aqui. E talvez todo mundo aqui seja diferente.
Mais tarde, durante uma festa imensa em um hotel grande, com direito a lagoa, música, dançar no queijo, gente despida... vi que os outros ali não eram tão diferentes assim entre si. Mais uma vez aconteceu. Lá estavam todas as letras do alfabeto drogadito. “E”, “K”, “GHB”.... e as perguntas que ouvíamos na turma eram “Nossa como vocês são animados! Onde conseguiram comprar Crystal?”
- Oi? Moço, isso aqui é vodka, o dela ali é água sem gás purinha, o do outro é energético e pra gente isso apenas tá ótimo!!!! Mas se você ficar quietinho sem se drogar pode ficar conosco.
E aí me perguntei: - “Como pode alguém tomar solvente para engrenagens industriais como droga para curtir a balada????”. Claro que o pensamento passou rápido. Afinal, a noite era curta e o carnaval estava acabando. E com o final do Carnaval as pessoas voltam a se abrir para relacionamentos...

Hoje, a dúvida voltou a bater.... “como pode Alice?”