30 setembro 2025

O Mar do Inconsciente (Groênlandia/Oceano Ártico)

 1/09/2025 22:50 



A cada onda cortada pelo navio sinto como se meu coração tentasse escapar pelo peito.

Prendo o ar. Percebo e exalo para tentar acalmar.

Imagino o metal que compõe a base do barco cortando o oceano. O frio que deve sentir. A tristeza por estar sozinho. Como se o inanimado tomasse a vida com todo o seu silêncio rompido pelo rufar do corte das moléculas de oxigênio na água. Por perto nem orcas, nem baleias. Apenas a imensidão da água fria. Gélida.

Estaria a Deusa Arnakuagsak (Sedna) do povo Inuit acompanhando o barco e incomodada pela invasão em suas águas?

Ou estaria ela guardando ao longe e protegendo a embarcação repleta de animaizinhos que andam sob duas patas?

Solto o ar pois pareço sufocar. Em seguida respiro novamente para tentar me controlar.

Cadê o sol? Ele desistiu de nos acompanhar? Porque não vejo a lua?

Quanta solidão há no frio.

Saudades do meu Brasil.

19 julho 2025

Saúde Mental em São Paulo: Nos Eixos apresenta Terapia Junguiana como Caminho para o Autoconhecimento em à Ansiedade

 Ricardo Lauricella, terapeuta da Nos Eixos, explica como a abordagem que explora sonhos e símbolos oferece respostas para a busca por propósito em tempos de desconexão.


Ricardo Lauricella, terapeuta da Nos Eixos
Ricardo Lauricella,
terapeuta da Nos Eixos

Em um cenário onde os atendimentos por ansiedade e depressão disparam em São Paulo, uma abordagem terapêutica profunda ganha relevância por ir além do alívio dos sintomas: a Terapia Junguiana. Desenvolvida pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, esta vertente da psicologia oferece ferramentas para entender as causas profundas do sofrimento psíquico, guiando o indivíduo em uma jornada de autoconhecimento e resgate de sua essência.

Os números recentes pintam um quadro alarmante. A preocupação com a saúde mental tornou-se a principal questão de saúde para 54% dos brasileiros em 2024, um aumento drástico em comparação com os 18% registrados em 2018. Em São Paulo, somente nos primeiros seis meses de 2024, foram realizados mais de 111 mil atendimentos ambulatoriais por ansiedade e depressão, indicando uma escalada da crise. Nacionalmente, os afastamentos do trabalho por transtornos mentais dobraram na última década.

Para a Psicologia Analítica, como também é conhecida a abordagem junguiana, essa epidemia de ansiedade e depressão não é apenas um problema de saúde, mas um sintoma de uma "crise de sentido" mais ampla. A desconexão social, as pressões por performance e um estilo de vida que nos afasta de nossa natureza interior criam um vazio que se manifesta como sofrimento. Nessa perspectiva, os sintomas não são o problema em si, mas mensageiros da psique, um chamado para olhar para dentro e resgatar partes de nós mesmos que foram negligenciadas.

"A ansiedade que vemos hoje não é apenas um mau funcionamento do cérebro; é um grito da alma por significado," afirma Ricardo Lauricella, terapeuta junguiano e fundador da Nos Eixos. 

"Muitos tratamentos focam em silenciar o sintoma, mas a Terapia Junguiana nos convida a ouvi-lo. O que esse vazio está tentando nos dizer? É no mergulho corajoso em nosso mundo interior, através da análise de sonhos e do diálogo com nossas partes esquecidas, que iniciamos o verdadeiro processo de individuação e encontramos um centro, um eixo que nos sustenta."

O tratamento na Terapia Junguiana é uma jornada colaborativa que visa integrar os opostos da personalidade e promover um equilíbrio entre o mundo interno e o externo. Para isso, o terapeuta utiliza diversas técnicas que dão voz ao inconsciente, como a análise de sonhos, que são vistos como uma comunicação direta da psique; a imaginação ativa, um diálogo com as figuras internas; e o uso de expressões artísticas para acessar conteúdos que as palavras não alcançam. O objetivo não é apenas a "cura" de um transtorno, mas o desenvolvimento de uma personalidade mais completa e autêntica, um processo contínuo de se tornar quem se é verdadeiramente.

Sobre a Terapia Junguiana 

A Terapia Junguiana, ou Psicologia Analítica, é uma abordagem de psicoterapia profunda fundada por Carl G. Jung. Ela se distingue por sua ênfase na integração entre o consciente e o inconsciente, que inclui o inconsciente pessoal (experiências individuais) e o inconsciente coletivo (uma herança de símbolos e arquétipos compartilhada pela humanidade). O objetivo terapêutico é guiar o indivíduo no processo de individuação, a jornada para realizar seu potencial único e viver uma vida com mais propósito e significado.

Sobre Ricardo Lauricella e a Nos Eixos

 Ricardo Lauricella é um terapeuta junguiano e fundador da Nos Eixos, um espaço terapêutico em São Paulo dedicado a. Com foco em, seu trabalho visa integrar os aspectos conscientes e inconscientes da psique para promover o equilíbrio e o bem-estar. Para mais informações, visite www.noseixos.com. 

30 setembro 2024

Mais Uma Vez

Vamos desistir, repetir, insistir.


Tentar o onde sem o que ou porque, para quê?


Revogar o que é nosso, apalpar conscientemente a expectativa.


Escolher o que visível na transparência de tudo.


Divertir-se com novos intentos,

dóceis passatempos com amigos.


Voltar a insistir, começar a varar o peito em busca de algo.


Rogar aos prantos pelo mundo de glória por poder,

continuar tentando....


23 junho 2020

Solidão

Acho que se tornar adulto é isso. Apenas. Assim mesmo. Ou só apenas.

Ficar sozinho no escuro. Sentir-se sozinho sem qualquer comiseração. Simplesmente apagado.

Pensar em algumas pessoas que até ouviriam, mas preferir não perturbá-las com a solidão. E ficar sozinho. 

Não se confortar ou se conformar. Nutrir uma melancolia esperando se enrigecer para suportar saber-se sozinho.

Algo no peito disparado e o susto por achar ser um ataque cardíaco. Uma pontada na cabeça, será um AVC? E estou esquecido. 

A tristeza de se sentir só. A realidade de não se iludir sobre sempre poder contar com alguém. Um alguém ou outro lembra. Logo desiste, logo descarta. 

Será que já ter enrigecido? Aceitado a solidão o suficiente para ser mais desapegado?

Que pena! Ainda não. Talvez um dia consiga? Duvido... Sinto... Sinto muito. Sinto demais.

Parece um vício. Parece bom. Mas melhor seria não sentir.

Bobagem, diriam uns. É bom sentir! Você vai além porque sente.

Besteira, digo eu. Sinto pois não sei fazer de outro jeito.

Alegre-se! Você sente, sofre mais mas, ama mais, diriam outros.

Não engano a mim, respondo. Sofrer dói por mais tempo do que amar menos. 

Melhor amar menos e amar pra sempre na luz, do que amar mais e passar o que sobra na escuridão. 

22 junho 2020

Civil+iz+ação

O que é essa tal civilização? É seguir regras? É ser normal? Mediano, medíocre?

É ignorar as dores do mundo? Brincar de Pollyanna transformou-se em ter que ser resiliente? Ora, eu não sou uma barra de aço para ser resiliente. 

Seres humanos têm palavras melhores para definirem sua capacidade de passar por problemas.

Que civilização é essa que quer emprestar termos de objetos e ignorar a complexidade da alma! Do cérebro! Daquilo que é inominável.

Somos compostos de emoções. Para quê aprisioná-las em caixinhas? Qual é o sentido de nos sufocarmos em polímeros?

Eu não quero isso pra mim. Quero rasgar essas tantas camadas e deixar à flor da pele. Se arder ou queimar é porque algo está errado. E, se doer é pra corrigir. Fazer certo. Não ferir para não ser ferido. 

Acelerar o ritmo de crescimento de plantações e de animais para saciar o apetite de uns e fazer sofrerem outros não me parece uma boa ideia. Construir algo, da mesma falida forma, em cima do que já se sabe estar ruindo é loucura! 

Ignorar o diferente, aprisionar o oposto, soterrar a dor intelectual com remédios ao invés de entendê-la é covardia! 

O que é civilização então? Compartilhar papéis, consolar ao outro, apoiar e ser apoiado, unir-se? ou dividir, confrontar e destruir? 

Civilização é só economia, política e desenvolvimento tecnológico ou é sociologia, biologia e depois o resto? 

Pode não ser assim, mas fato é que do jeito que está, não está certo, isto tenho certeza que não!

22 maio 2020

A Causa - Almanque de Variedade - Podcast

Em tempos de pandemia e enfrentamento ao novo coronavírus, tenho aproveitado a quarentena e o isolamento social para refletir sobre os novos rumos. 

Adicionar legenda
A ideia de falar sobre CAUSA, as diversas causas que temos e que nos fazem seguir adiante, merecia ser compartilhada. Claro, que fazer isso apenas do meu ponto de vista seria um experimento solitário demais. Por isso, decidi lançar um PODCAST com convidados para falar sobre as diversas causas que nos movem. 

Nasceu aí o PODCAST: A Causa - Almanaque de Variedades. Disponível em diversas plataformas como Spotify, Deezer, Google Podcasts, Castbox, Breaker e no Apple Podcast. 

Ali estamos discutindo desde as causas coletivas até as pequenas causas do cotidiano. Psicologia, empreendedorismo social, arquitetura, decoração, futurismo, ONGs são temas para percorrer os diversos caminhos que colocam sentido na vida. 

Se você tiver alguma sugestão de tema ou até mesmo quiser participar como convidado. Comente abaixo.

Até a próxima!


06 agosto 2019

Soneto de Despedida

No alta da barca
ele se via perdido
e esquecido em meio a tanta beleza,
tanta ingenuidade, inocência.

Se esse fosse o seu destino,
amar em segredo,
será cumprido.
Mas ele espera que não.

Com a partida dela
ele ficará sem rumo.
Mas nunca deixará de amá-la.

Será que seria certo aguardar?
Esperar o impossível e inesperado?
Não, não iria adiantar esperar o milagre.

(1996)

22 maio 2015

Aqui e acolá

A cada final de semana fica mais difícil dormir e minha casa, na minha cama, onde sempre me senti envolvido.

Não sentir a presença humana e canina faz meu sono vir carregado. Ao meu redor meus livros parecem estar deslocados de seu lugar. Já Não fico confortável no travesseiro que escolhi depois de muitas tentativas.  Como é estranha essa sensação.

Sentimento de ter abandonado amando.  De sacrifício irascível .

Já não tenho lugar no mundo. Aqui ficou distante e lá, lá não é meu lugar. Ainda não.

10 maio 2014

Toda a verdade sobre mim e as frase que você me estampou

Sou ciumento.  Ando com péssima auto estima e tentando te convencer,  para quem sabe me convencer,  que sou belo,  inteligente e interessante.

Namoros passam, amigos ficam. Na medida do possível amigos nos dão suporte Quando Mais precisamos.  Mas Namoros tem a expectativa de serem eternos e não serem na medida,  mas sim estarem sempre ao nosso lado.  Não Nascemos sozinhos.  Parteiras,  médicos,  nossas mães e familiares estão por ali.  Mas morremos sozinhos.  Essa é a preparação e, talvez essa seja sua maior lição.  Para eu aprender a ser sozinho e, o que vier , é lucro. Triste mas real.  Contar apenas consigo próprio e, com sorte,  ter ajuda alheia no caminho.

Não sou uma jóia,  mas estou longe de ser um pedregulho.  Triste é perceber que assim você me vê.  Talvez uma pedra bruta.  Sim eu gosto de você.  Gosto muito. Mesmo quando os pássaros teimam avisar sobre um novo dia mesmo antes d eu pregar os olhos.

Mas devo gostar mais de mim.  Afinal preciso saber viver sem você para poder viver com você.  Que tarefa árdua desmistificar que somos pela metade.  Seria tão mais bonita a idéia de que somos pela meios para, pelo outro, sermos inteiros.

Sinto que vou sofrer. Mas já não tenho sofrido tanto ao pensar que não te tenho. Ou que você me esconde suas dúvidas? Sei que te tenho.  Mas tenho sim medo de te perder.  devo aprender que ter e te entregar não significa que nos possuímos. 

Amanhã,  ou ainda hoje que seja, o dia vai amanhecer com as monocromáticas cores da verdade. 

Mas eu ainda não sei lidar com ela. Tentativas não faltarão. Mas saber se será o suficiente na nossa história é algo que só o tempo dirá.

E quem arrisca tempo? Eu arrisco. Ego de um lado,  emoção de outro,  assim nunca vai ser possível saber.
Se nessa jornada permanecemos juntos, vou ter que deixar você ter seu branco setembro sem mim. Nossas realidades são diferentes e eu preciso aceitar. Preciso confiar e deixar ser, não importa as pessoas que possam aparecer.  Estamos juntos mas nem sempre caminhamos assim, e um ao outro devemos respeitar.

Nem eu alcançar seu passo,  nem isso você esperar. 

30 setembro 2013

A fúria de um deus Sobre como ser você ....

...e entender que Morholt sempre cobra o tributo de Tristão na ponta da espada

“O farther, farther, farther sail!"- Walt Whitman, Passage to India.

Uma vez ouvi que nossos parceiros afetivos não são nada mais que um empréstimo do universo na nossa evolução. Que só por meio do outro é que somos capazes de nos enxergar. Isso derrubou por terra a minha ideia romântica de que existia um par perfeito. Refutei essa afirmação por algum tempo.

Algumas luas e sóis depois,  e algumas farpas pequenas fincadas entre os dedos também,  percebi que isso tudo é verdade.  Nunca se trata do outro. Trata-se apenas de nós mesmos.

Nossos medos,  inseguranças,  desejos e rancores. Quando uma pessoa diz que te ama, ela só diz porque é você que está ali naquele momento.  Por uma seleção do destino, dos humores e até mesmo dos hormônios e pulsões de vida ou de morte, você foi o escolhido. Mas as prováveis mesmas palavras seriam ditas se não fosse você. Se fosse outra pessoa. Isso porque o objeto de amor, em geral, é o próprio emissor daquele sentimento. Sobre como a própria pessoa vai se sentir bem e não o objeto em si. E o mesmo se aplica ao outro lado.

Algumas pessoas têm a sorte de encontrar pares que não aceitam o que aparecer sem filtro. Mas não se iluda amigo. Mais uma vez não se trata de VOCÊ ser especial. O outro vê tantos especiais que você é apenas o rio que corre agora. Ainda sim, o objeto de amor receberia atenção como qualquer outro. Mais uma vez, não que você ou eu sejamos especiais aos olhos do outro. Apenas somos, naquele momento, inspiradores da canalização daquele desejo.


Posto isso, consigo chegar à conclusão, pela primeira vez em meia vida - e, por mais piegas e triste que seja-  devemos ser nós mesmos a pessoa mais importante de nossas vidas.  Não devemos colocar ninguém na frente e, muito menos, esperar isso de alguém. Ninguém estará lá sempre por mim ou por você. Exceto nós mesmos. Ninguém ama o objeto tão magnanimamente a ponto de tirar de si próprio a energia que está direcionando. Talvez as mães sejam as únicas, mas não todo o tempo. São elas também humanas.

05 abril 2013

Sobre amor e sobre a dor


Escrevi isso enquanto ouvia alguém gritar em uma janela no prédio da frente. E, em seguida, um estrondo. Eu não sabia, mas um jovem tinha acabado de tirar a própria vida. Seu corpo estirado no chão em frente à saída do estacionamento do prédio. A fragilidade de seu pesado corpo que colidiu contra o chão e não respirou por mais que segundos. 

Vamos falar sobre o amor. O amor que desperta todas as manhãs nos olhos de quem está encantado com o mundo. Daqueles que acordam sem o despertador, dormem sem gotas pretas re rivotris e sonham livremente em cores que não existem.

Vamos falar sobre a dor. A dor devastadora que parece ser eterna. Aquela que só a morte parece pôr fim. De desilusões compartilhadas, investem todos os lados em afundar em gotas salgadas que escorrem pelo rosto.

Lembremos agora da amizade. Aquela que é feita de troca. De direcionamento de energia na felicidade alheia. Que é sincera e fala mais alto que o ego. Doadora, articuladora de proteção. Almofadado colo e quando necessário, superficial açoite.

Trabalhemos. Forma de ser feliz, de conquistar, de motivar-se. De usar a maior parte de nosso tempo para algo que acreditamos não contribuir para a doença do mundo.

Vamos falar sobre razão, emoção, paixão e desilusão. Falar sobre SERmos HUMANOs. E tudo bem ser humano. Humano que julga e se esforça para não fazê-lo, que aceita, que vocifera e que acalanta. Que desiste ou que resiste.

04/04/2013

20 março 2013

O outro lado (19/03/2013)


Che cosa vuoi sapere, è meglio non sapere
L'amore che mi chiedi non può finire bene… Non può finire bene…
Amore disperato/ Amore mai amato/  Amore messo in croce/  Amore che resiste
E se Dio existe/  Voi, voi/ Vi ritroverete là, là…

Estou com o coração dilacerado. Entendo o motivo pelo qual dizem ser o coração que dói. A dor é ali. Dói o peito. Não é a ansiedades das borboletas no estômago da paixão.

Sei que não faltou amor. Mas fui eu mesmo a envenenar meus pensamentos. Fui atrás de tudo porque acreditei não ter outra chance para viver tudo. Despejei meu desamor. Minha fonte de não estava mais em mim.  

Vivi pela metade por escolher um caminho lendo outro mapa. Minha bússola estava pendurada em um colar no meu peito.  Não em minhas mãos.

A caixa de música com um lindo carrossel estava bem ao meu alcance e preferi olhar ao redor, ao invés de escolher ela, e só ela. E trazê-la comigo. Esquecer todos os outros enfeites.

Deixei a agulha pulando no disco de vinil. Acreditei que não era minha responsabilidade trocar a canção. Deixei o risco discado. O disco riscado.

Soltei sua mão e entrei sozinho na floresta como criança mimada que depois se viu sozinha. Praguejei contra Deus. Disse a ele que era ELE o responsável pela minha infelicidade.

As rédeas da minha vida estão nas mãos do meu ego. É verdade que eu gosto de galopar. A sensação de quando as quatro patas do animal estão no ar.... estamos os dois no ar. Mas quando o galope acabar, ao impacto do trote é que a realidade irá se impor.

É preciso ter a consciência que a terra está abaixo dos nossos pés.

19 março 2013

MEA CULPA (19/02/2013)


Por que você me deixou sozinho naquele vale? E por que eu entrei noite adentro atrás daquele vaga-lume?

Não era uma noite fria, eu não estava com fome, eu apenas queria você. Você não estava ali. Eu me senti sozinho. Você não precisava de mim. Eu precisava de você.

Não acredito mais em para sempre. Você me convenceu disso. O curto tempo da plenitude das coisas não demora mais que o espaço entre dois passos. Nossos passos não estavam sincronizados e só eu percebi ou, será que fui a me distanciar do compasso de nossa caminhada?

Me culpo por não me sentir amado. Te culpo por não entender o que eu precisava. Minha culpa esperar de você ou, sua culpa não esperar nada?

Não, eu não entendo a independência das travessias solitárias. Prefiro Romeu à Odisseu.

Romeu lutou contra tudo e todos, até contra a vida. Odisseu lutou contra a morte sem se importar quem estaria junto no final. Talvez não tenha vivido tempo o suficiente para não ser feliz para sempre. Mas Odisseu deixou marcas em Penélope. Penélope não sou eu. Eu não teço mortalhas. Não sou magnânimo e guardo rancores. Eu quero amar e quero amor. Amor de compartilhar.

Quero você e quero a mim. Quero ser eu e ver você sorrindo pra mim ao meu lado. Quero sorrir ao seu lado. Não quero sorrir acenando enquanto você se despede.

Das tantas coisas que eu não entendo está você. Que espera cumplicidade e parceria de relacionamentos tradicionais enquanto tira férias cíclicas de relacionamentos excepcionais.

Preciso da calma de um  amor de troca. De um trampolim de se saltar junto.

Se eu tiver medo, então que você fique comigo ou me obrigue a saltar contigo. De mãos dadas. Não gosto de adeus. Tão pouco até breve.

Quero tudo que for intenso. E por que meu deus, por que o que é intenso tem que apagar?

Minha segurança pede para eu ser mais solto, depreendido e livre. Mas como podem dois caminhar juntos se cada um vai para um lado?

06 dezembro 2012

Engels morreu


Já disseram que homens têm dificuldades generalizadas – as mais íntimas inclusive – ao passarem por riscos financeiros. Não duvido.

A ameaça em perder uma das mais contemporâneas seguranças, o dinheiro, aterroriza até o mais incauto dos homens.

Mesmo Marx só produzia sua obra com o dinheiro advindo de seu ‘amigo’, Engels. Nada me tira da cabeça o grau de intimidade entre eles. O que não foi problema entre os dois , ao passo que a temeridade em não ter recursos financeiros que subsidiem uma existência capitalista pode levar muitos a roleta russa do risco empreender. Ou, do outro lado, ao final do dia, leva muitos outros a se sentirem com palitos nos olhos em suas noites intermináveis e seus punhais sempre levantados.

Com cabeça pesada e sangue prensado, as cifras não saem da mente. Rubras, duras, quebradas. Um nonsense pode tomar conta como droga e tirar o sujeito da realidade. Perder a referência. Sentir-se perseguido. Ao tentar invocar Marx... ops, o mesmo Marx que viveu com dinheiro alheio. Melhor parar por aqui.

Cruel ou não o capitalismo foi o animal mais voraz que existiu. Ou você se torna um, ou é engolido por ele. Afinal, Engels, já não existe. 

25 setembro 2012

CARDÁPIO DO DIA: Amelie e os contos de fadas existem


De “nunca se apaixone por um trapezista, pois quando menos esperar estará em baixo dele” à “seu coração não é de vidro, então quebre a cara”, Amelie Poulain deixa de fugir de encarar a realidade para saber exatamente o que quer. E não é o que todos nós, sonhadores queremos?

Um cacoete, um ritual, uma mania. De uma forma ou de outra, todos somos seres idiossincrásicos, pelo menos quem chegou até aqui.
Arrumar a bagunça dos outros ou criar laços? Essa é grande centelha que distancia Amelie de Pollyana – uma menina ingênua quase infantil para sempre.

Amelie não. Não faz o Jogo do Contente. Isso pode funcionar em a Vida é Bela, não em um Fabuloso Destino. Guido quer sobreviver e abrandar os olhos de seu filho, Giosuè, Amelie quer encontrar e compartilhar o Amor.

Quantas vezes sabemos o que realmente queremos na vida? Não é fácil escolher ser feliz – e não ouse rebater que felicidade é um momento, não um caminho. Somos categoricamente marcados pelo sentimento castrador que, um dia, imaginaram necessário para vivermos em sociedade.

Culpa, medo, castigo, céu e inferno são palavras cunhadas por quem não conseguiu explicar o que é o amor, o que é felicidade. Não é um amor romântico que definha tão logo o colágeno se esvai. É viver o amor.

E quem arrisca dizer que amor é esse? Justamente nossa vontade de sermos reconhecidos em vida, após a morte, termos uma história digna de ser narrada. Queremos um Fabuloso Destino. Para isso, precisamos de amor-Próprio.

Muitas vezes eu me pego imaginando o que quero que aconteça. E o que eu quero? Voar por entre prédios, segurar um meteoro que pretende colidir com a Terra e destruir tudo que eu acho bonito aqui, pilotar um caça soltando comida e aparelhos tecnológicos para povos menos favorecidos economicamente pela África (afinal, me encanto com essas quinquilharias). Jamais imagino colidir em uma torre, pulverizar agente laranja ou napalm. Confesso, tenho vontade de enfiar juízo na cabeça de alguns grupos religiosos, mas o que seria da dialética sem eles?

O fato é, não percamos tempo imaginando uma vida que não seja extraordinária. Vamos devolver ao mundo apenas as coisas magníficas que recebemos. E o que nos fizeram de ruim? Ahm, mas o que é ruim mesmo? Tenho preferido não me prender a isso.

O que fica é embarcar nesta fabulosa jornada e entender que a brevidade da vida se limita à grandeza do amor a ela. Agora sim, a única lição religiosa que realmente deve ser levada à cabo: “ame o próximo como a ti mesmo” – e não pode se amor pouco hein.


31 agosto 2012

Certo ou Mal?


Acreditar que existe o ‘bem’ e o ‘bom’ é uma forma ariana de pensar. Figura existir um ‘certo’ e um ‘errado’, tendo o certo como algo que deva ser cumprido e, o errado, a força dialética que mantém o impulso para seguirmos adiante.

Ambos deveriam coexistir sem significarem objetos carregados de valor moral. Apenas forças opostas que, no caminho da vida e no rumo da história, penderiam de um lado a outro. Algo como preferência sexual, profissional, pelo campo ou pela praia.
        
Na perseguição pelo bem e pelo certo, assumimos soberanamente ou, pretensiosamente, que somos seres superiores. Como os seguidores de Heaven’s Gate - uma seita em que escolhidos se suicidaram na passagem do cometa Halle-Bopp na intenção de irem direto para o Paraíso-  ou como os estudantes abastados do colégio de uma metrópole que mais coloca alunos na USP, quem sabe até mesmo os VIP´s das boates e festas da moda.


NOTA MENTAL: Danuza Leão talvez tenha sido uma VIP que sobreviva. Isso porque nunca ninguém vai saber como teria sido se ela fosse VIP hoje em um vídeo íntimo divulgado na Internet. Fato é que as pessoas se expõem.


Sejamos roussonianos por pensamento ou hobbesianos por afinidade, as pessoas não são boas ou más por natureza. Nós apenas somos. Tomamos caminhos multidimensionais diferentes dentro das possibilidades infinitas.

Seguidores dos comandos estelares de Ashtar Sheran ou, os quase extintos Drusos, não somos eternos nem finitos. Somos o resultado do ontem que se modifica à duras penas no aqui e agora.

17 julho 2012

Soltar as rédeas dos sentimentos


Tomado de assalto revistamos i lugares-comuns e sentimentos. Inícios são sempre inícios. Um pedaço de vida apanhado. Uma mudança sistêmica nas tomadas de decisões. Será dar o tom deixar tudo como até pouco tempo e apenas ser-estar?

Doação significa algo diferente de consideração. Abrir mão é diferente de partilhar. Algumas vezes fazer sorrir não é o suficiente. É preciso serenar. Quando estiver no limite da autopreservação deverá soltar as rédeas dos cavalos dos sentimentos e deixar cavalgar.

No início o trote pode ser dolorido. Não tarda e a cavalgada parece saltos nas nuvens mais celestes.


Caso cavalgue em um cavalo selvagem, lembre-se, ele pode até ficar próximo para agarrar um torrão ou dois, mas, sua natureza é de pastar longe do bando. Perto das colinas, por entre as matas. Distante do que não tem certeza que possui. Só o que possui são seus próprios cascos. 


Assim que os cascos tiverem endurecidos devemos calçar ferraduras. Mais uma vez o trote vai ser dolorido e o equino arredio. Pra isso servem as aulas de equitação ou as dicas do cavaleiro experiente: junte os dois joelhos pressionando na cela. A força reside ali, não nos pés calçados nos estribos. 

Algum tempo assim e, logo, você descobrirá uma força e um controle que sequer imaginava. O cavalo jamais será domado. Já o cavaleiro poderá sentir-se um pouco mais seguro.


02 julho 2012

Templos do Silêncio e o Big Bang

“Durante quinze dias estive passeando pela cidade, entre os pobres. Pediram-me tudo o que o senhor possa imaginar, menos a camisa. Provavelmente ignoram o caminho do bem.” L.A.*
Seja em tempos de paz, seja em tempos de guerra, existe o som. O som da chaleira que anuncia a manhã com um negro e denso café a perfurar a névoa de um novo despertar. O som de recarregar do rifle, cortante e seco a criar novos espaços.

Ao contrário do Diabo do conto de Leonid Andreiev, não busco mais o bem. Busco o justo. Afinal, não sou Diabo, tampouco sou sacerdote. Sou algo no meio disso tudo que sente. Nem sempre entende, muito menos explica, apenas, sente.

Sinto e sou sentido. Sempre com música. Tocada em forma de orquestra ou falada em forma de trovadorismo. Não quero ser artista nem plebeu. Quero ser vassalo. Ter alguma importância para poucas pessoas. Menos idolatrado e mais valorizado por aqueles que tenho apreço. Menos paranoia e mais aprimoramento. Por instagram ou Facebook, me alegra poucos terem curtido. Assim me aproximo de quem interessa. Já disseram os filósofos da Antiguidade clássica que cinco era o número máximo de amigos que uma pessoa poderia ter. Os amish têm no máximo 150 pessoas por comunidade. O resto faz parte de nosso grupo de empatia. As pesquisas recentes de Oxford mostram que existem alguns grupos de intimidade e, jamais, ultrapassam 150. Em comum, todos têm alguma forma de música.

E o que tudo isso tem a ver com silêncio? É no silêncio que conseguimos nos emancipar, expandir e transcender. E onde se tem silêncio? Na música! Explico:

É impossível silêncio completo senão em uma câmara hermeticamente fechada. Todos os lugares contêm algum tipo de som. O som dos eletrônicos, dos animais, do ruflar das asas de um inseto, de nossa própria respiração.

Silêncio completo só ao se concentrar nas notas cautelosamente desenhadas antes de formarem uma bela canção. Dessas que hipnotiza. Que faz a batuta do maestro rasgar o ar, as caixas de som das casas de show trepidar. Todos os sons que fazem nosso tímpano reverberar. Tão importante que é esse sentido, é, o ouvido o mais protegido. O órgão espiral que nos faz ouvir flutua em líquido ajudando à absorver vibrações por acidente. Envolvido pelo osso petroso, abriga as células ciliadas. As mesmas células que os aviões e seus ruídos destroem uma a uma.

Lembro-me bem de ler Oliver Sacks (Alucinações Musicais) ter escrito que ouvir música não é apenas auditivo e emocional. É algo motor. Para mim, som é primeiro-motor, o átomo primordial. O Big Bang cria o mundo. O som cria a vida.

A vida não é boa nem ruim. A vida é som que ressoa diferente para cada pessoa visto que ouvimos desde o período natal. No tempo embrionário. Na eternidade astral.
Não quero ser bom. Quero apenas ser, humano....

*http://pt.scribd.com/doc/2086636/A-CONVERSAO-DO-DIABO


17 março 2012

Vida é Escolha

Em alguns momentos de nossas vidas nos sentimos vazios, ocos, descobertos de felicidade ou satisfação plena. Preguiçosos que somos dizemos logo:

-É porque estou solteiro.
- É porque estou em um relacionamento ruim.
- Por causa do meu trabalho.
- Porque estou sem trabalho.

Milhares de frases, como as acima, estão sempre na ponta língua. Uma verdade que parece ser mais difícil de alcançar é aquela que vem do esforço. Sortudos os que vêm por um insight. Acaso ou esforço sempre é um lance de sorte. Explico.

Mesmo quando nos esforçamos arduamente, nos empenhamos como nunca antes e temos a maior força de vontade do mundo, nem sempre o resultado – que queremos- é atingido. Longe das verdades absolutas, perto das possibilidades infinitas, me parece que o motivo para nossa frustração reside no nosso sucesso mágico de outras vezes.

Por exemplo, uma vez (ou muitas vezes) usei remédios para emagrecer. Os resultados eram fantástico. Quilos e mais quilos perdidos mesmo comendo carolinas todos os dias. Isso tudo mesmo sem fazer nenhum tipo de dieta balanceada. Algum tempo depois, e doses cavalares aumentadas e o único efeito da medicação foi irritação e falta de sono.

Em outros momentos, tristes e desanimados, lançamos mão de um sem-fim de remédios psiquiátricos para dar um ‘gás’. Nossa produção aumenta e tudo parece ter mais sentido. A energia volta e dizemos estar no melhor momento de nossas vidas. Quem não toma um anti-depressivozinho vez ou outra?

Ou mesmo querendo aproveitar noites sem fim usamos as inofensivas bebidas energéticas combinadas com álcool ou até mesmo uma balinha ou outra droga ‘recreativa’.

Algum tempo depois, e não muito, a vida joga um véu negro sobre nós e já não é tão fácil encontrar aquela deliciosa alegria de viver de antes. Uma conquista ou duas parecem não ser o suficiente. Claro, ‘eu quero sentir aquele big-bang’ de contentamento que sentia antes com a ajuda externa.

É, assim fica cada vez mais difícil emagrecer, animar-se, ter disposição, sentir-se feliz. Aí lançam-se novas drogas e alternativas para conseguir tudo novamente. Tudo mais difícil, poucas vezes não.

Seremos dependentes dos agentes externos eternamente? Os agentes internos dariam conta sozinhos?

Uma coisa é garantida, vida é escolha. E escolhas, são reversíveis. A que preço? Ah.... o preço....  

05 março 2012

Vida era atalho, agora é trabalho

Não vivi tragédias. Não tive histórias de dignas de páginas policiais. O que tenho são dilemas existenciais.
Sofro de busca de sentido na vida. Não aceito uma vida sem sentido. Isso dói às vezes e parece que toda força se esvai.

Hoje, sei que preciso inventar algo que faça sentido pra mim. Ainda assim, não é fácil. Gonzaguinha já disse: vida é trabalho. Eu sempre disse: vida é atalho.
Depois dos 30 entendi que Gonzaguinha era quem estava certo. Ao menos depois dos 30. Por isso, vamos ligar os motores a pleno vapor e deixar o carro desligado na descida pra relaxar um pouco.