20 março 2013

O outro lado (19/03/2013)


Che cosa vuoi sapere, è meglio non sapere
L'amore che mi chiedi non può finire bene… Non può finire bene…
Amore disperato/ Amore mai amato/  Amore messo in croce/  Amore che resiste
E se Dio existe/  Voi, voi/ Vi ritroverete là, là…

Estou com o coração dilacerado. Entendo o motivo pelo qual dizem ser o coração que dói. A dor é ali. Dói o peito. Não é a ansiedades das borboletas no estômago da paixão.

Sei que não faltou amor. Mas fui eu mesmo a envenenar meus pensamentos. Fui atrás de tudo porque acreditei não ter outra chance para viver tudo. Despejei meu desamor. Minha fonte de não estava mais em mim.  

Vivi pela metade por escolher um caminho lendo outro mapa. Minha bússola estava pendurada em um colar no meu peito.  Não em minhas mãos.

A caixa de música com um lindo carrossel estava bem ao meu alcance e preferi olhar ao redor, ao invés de escolher ela, e só ela. E trazê-la comigo. Esquecer todos os outros enfeites.

Deixei a agulha pulando no disco de vinil. Acreditei que não era minha responsabilidade trocar a canção. Deixei o risco discado. O disco riscado.

Soltei sua mão e entrei sozinho na floresta como criança mimada que depois se viu sozinha. Praguejei contra Deus. Disse a ele que era ELE o responsável pela minha infelicidade.

As rédeas da minha vida estão nas mãos do meu ego. É verdade que eu gosto de galopar. A sensação de quando as quatro patas do animal estão no ar.... estamos os dois no ar. Mas quando o galope acabar, ao impacto do trote é que a realidade irá se impor.

É preciso ter a consciência que a terra está abaixo dos nossos pés.

19 março 2013

MEA CULPA (19/02/2013)


Por que você me deixou sozinho naquele vale? E por que eu entrei noite adentro atrás daquele vaga-lume?

Não era uma noite fria, eu não estava com fome, eu apenas queria você. Você não estava ali. Eu me senti sozinho. Você não precisava de mim. Eu precisava de você.

Não acredito mais em para sempre. Você me convenceu disso. O curto tempo da plenitude das coisas não demora mais que o espaço entre dois passos. Nossos passos não estavam sincronizados e só eu percebi ou, será que fui a me distanciar do compasso de nossa caminhada?

Me culpo por não me sentir amado. Te culpo por não entender o que eu precisava. Minha culpa esperar de você ou, sua culpa não esperar nada?

Não, eu não entendo a independência das travessias solitárias. Prefiro Romeu à Odisseu.

Romeu lutou contra tudo e todos, até contra a vida. Odisseu lutou contra a morte sem se importar quem estaria junto no final. Talvez não tenha vivido tempo o suficiente para não ser feliz para sempre. Mas Odisseu deixou marcas em Penélope. Penélope não sou eu. Eu não teço mortalhas. Não sou magnânimo e guardo rancores. Eu quero amar e quero amor. Amor de compartilhar.

Quero você e quero a mim. Quero ser eu e ver você sorrindo pra mim ao meu lado. Quero sorrir ao seu lado. Não quero sorrir acenando enquanto você se despede.

Das tantas coisas que eu não entendo está você. Que espera cumplicidade e parceria de relacionamentos tradicionais enquanto tira férias cíclicas de relacionamentos excepcionais.

Preciso da calma de um  amor de troca. De um trampolim de se saltar junto.

Se eu tiver medo, então que você fique comigo ou me obrigue a saltar contigo. De mãos dadas. Não gosto de adeus. Tão pouco até breve.

Quero tudo que for intenso. E por que meu deus, por que o que é intenso tem que apagar?

Minha segurança pede para eu ser mais solto, depreendido e livre. Mas como podem dois caminhar juntos se cada um vai para um lado?

06 dezembro 2012

Engels morreu


Já disseram que homens têm dificuldades generalizadas – as mais íntimas inclusive – ao passarem por riscos financeiros. Não duvido.

A ameaça em perder uma das mais contemporâneas seguranças, o dinheiro, aterroriza até o mais incauto dos homens.

Mesmo Marx só produzia sua obra com o dinheiro advindo de seu ‘amigo’, Engels. Nada me tira da cabeça o grau de intimidade entre eles. O que não foi problema entre os dois , ao passo que a temeridade em não ter recursos financeiros que subsidiem uma existência capitalista pode levar muitos a roleta russa do risco empreender. Ou, do outro lado, ao final do dia, leva muitos outros a se sentirem com palitos nos olhos em suas noites intermináveis e seus punhais sempre levantados.

Com cabeça pesada e sangue prensado, as cifras não saem da mente. Rubras, duras, quebradas. Um nonsense pode tomar conta como droga e tirar o sujeito da realidade. Perder a referência. Sentir-se perseguido. Ao tentar invocar Marx... ops, o mesmo Marx que viveu com dinheiro alheio. Melhor parar por aqui.

Cruel ou não o capitalismo foi o animal mais voraz que existiu. Ou você se torna um, ou é engolido por ele. Afinal, Engels, já não existe. 

25 setembro 2012

CARDÁPIO DO DIA: Amelie e os contos de fadas existem


De “nunca se apaixone por um trapezista, pois quando menos esperar estará em baixo dele” à “seu coração não é de vidro, então quebre a cara”, Amelie Poulain deixa de fugir de encarar a realidade para saber exatamente o que quer. E não é o que todos nós, sonhadores queremos?

Um cacoete, um ritual, uma mania. De uma forma ou de outra, todos somos seres idiossincrásicos, pelo menos quem chegou até aqui.
Arrumar a bagunça dos outros ou criar laços? Essa é grande centelha que distancia Amelie de Pollyana – uma menina ingênua quase infantil para sempre.

Amelie não. Não faz o Jogo do Contente. Isso pode funcionar em a Vida é Bela, não em um Fabuloso Destino. Guido quer sobreviver e abrandar os olhos de seu filho, Giosuè, Amelie quer encontrar e compartilhar o Amor.

Quantas vezes sabemos o que realmente queremos na vida? Não é fácil escolher ser feliz – e não ouse rebater que felicidade é um momento, não um caminho. Somos categoricamente marcados pelo sentimento castrador que, um dia, imaginaram necessário para vivermos em sociedade.

Culpa, medo, castigo, céu e inferno são palavras cunhadas por quem não conseguiu explicar o que é o amor, o que é felicidade. Não é um amor romântico que definha tão logo o colágeno se esvai. É viver o amor.

E quem arrisca dizer que amor é esse? Justamente nossa vontade de sermos reconhecidos em vida, após a morte, termos uma história digna de ser narrada. Queremos um Fabuloso Destino. Para isso, precisamos de amor-Próprio.

Muitas vezes eu me pego imaginando o que quero que aconteça. E o que eu quero? Voar por entre prédios, segurar um meteoro que pretende colidir com a Terra e destruir tudo que eu acho bonito aqui, pilotar um caça soltando comida e aparelhos tecnológicos para povos menos favorecidos economicamente pela África (afinal, me encanto com essas quinquilharias). Jamais imagino colidir em uma torre, pulverizar agente laranja ou napalm. Confesso, tenho vontade de enfiar juízo na cabeça de alguns grupos religiosos, mas o que seria da dialética sem eles?

O fato é, não percamos tempo imaginando uma vida que não seja extraordinária. Vamos devolver ao mundo apenas as coisas magníficas que recebemos. E o que nos fizeram de ruim? Ahm, mas o que é ruim mesmo? Tenho preferido não me prender a isso.

O que fica é embarcar nesta fabulosa jornada e entender que a brevidade da vida se limita à grandeza do amor a ela. Agora sim, a única lição religiosa que realmente deve ser levada à cabo: “ame o próximo como a ti mesmo” – e não pode se amor pouco hein.


31 agosto 2012

Certo ou Mal?


Acreditar que existe o ‘bem’ e o ‘bom’ é uma forma ariana de pensar. Figura existir um ‘certo’ e um ‘errado’, tendo o certo como algo que deva ser cumprido e, o errado, a força dialética que mantém o impulso para seguirmos adiante.

Ambos deveriam coexistir sem significarem objetos carregados de valor moral. Apenas forças opostas que, no caminho da vida e no rumo da história, penderiam de um lado a outro. Algo como preferência sexual, profissional, pelo campo ou pela praia.
        
Na perseguição pelo bem e pelo certo, assumimos soberanamente ou, pretensiosamente, que somos seres superiores. Como os seguidores de Heaven’s Gate - uma seita em que escolhidos se suicidaram na passagem do cometa Halle-Bopp na intenção de irem direto para o Paraíso-  ou como os estudantes abastados do colégio de uma metrópole que mais coloca alunos na USP, quem sabe até mesmo os VIP´s das boates e festas da moda.


NOTA MENTAL: Danuza Leão talvez tenha sido uma VIP que sobreviva. Isso porque nunca ninguém vai saber como teria sido se ela fosse VIP hoje em um vídeo íntimo divulgado na Internet. Fato é que as pessoas se expõem.


Sejamos roussonianos por pensamento ou hobbesianos por afinidade, as pessoas não são boas ou más por natureza. Nós apenas somos. Tomamos caminhos multidimensionais diferentes dentro das possibilidades infinitas.

Seguidores dos comandos estelares de Ashtar Sheran ou, os quase extintos Drusos, não somos eternos nem finitos. Somos o resultado do ontem que se modifica à duras penas no aqui e agora.

17 julho 2012

Soltar as rédeas dos sentimentos


Tomado de assalto revistamos i lugares-comuns e sentimentos. Inícios são sempre inícios. Um pedaço de vida apanhado. Uma mudança sistêmica nas tomadas de decisões. Será dar o tom deixar tudo como até pouco tempo e apenas ser-estar?

Doação significa algo diferente de consideração. Abrir mão é diferente de partilhar. Algumas vezes fazer sorrir não é o suficiente. É preciso serenar. Quando estiver no limite da autopreservação deverá soltar as rédeas dos cavalos dos sentimentos e deixar cavalgar.

No início o trote pode ser dolorido. Não tarda e a cavalgada parece saltos nas nuvens mais celestes.


Caso cavalgue em um cavalo selvagem, lembre-se, ele pode até ficar próximo para agarrar um torrão ou dois, mas, sua natureza é de pastar longe do bando. Perto das colinas, por entre as matas. Distante do que não tem certeza que possui. Só o que possui são seus próprios cascos. 


Assim que os cascos tiverem endurecidos devemos calçar ferraduras. Mais uma vez o trote vai ser dolorido e o equino arredio. Pra isso servem as aulas de equitação ou as dicas do cavaleiro experiente: junte os dois joelhos pressionando na cela. A força reside ali, não nos pés calçados nos estribos. 

Algum tempo assim e, logo, você descobrirá uma força e um controle que sequer imaginava. O cavalo jamais será domado. Já o cavaleiro poderá sentir-se um pouco mais seguro.


02 julho 2012

Templos do Silêncio e o Big Bang

“Durante quinze dias estive passeando pela cidade, entre os pobres. Pediram-me tudo o que o senhor possa imaginar, menos a camisa. Provavelmente ignoram o caminho do bem.” L.A.*
Seja em tempos de paz, seja em tempos de guerra, existe o som. O som da chaleira que anuncia a manhã com um negro e denso café a perfurar a névoa de um novo despertar. O som de recarregar do rifle, cortante e seco a criar novos espaços.

Ao contrário do Diabo do conto de Leonid Andreiev, não busco mais o bem. Busco o justo. Afinal, não sou Diabo, tampouco sou sacerdote. Sou algo no meio disso tudo que sente. Nem sempre entende, muito menos explica, apenas, sente.

Sinto e sou sentido. Sempre com música. Tocada em forma de orquestra ou falada em forma de trovadorismo. Não quero ser artista nem plebeu. Quero ser vassalo. Ter alguma importância para poucas pessoas. Menos idolatrado e mais valorizado por aqueles que tenho apreço. Menos paranoia e mais aprimoramento. Por instagram ou Facebook, me alegra poucos terem curtido. Assim me aproximo de quem interessa. Já disseram os filósofos da Antiguidade clássica que cinco era o número máximo de amigos que uma pessoa poderia ter. Os amish têm no máximo 150 pessoas por comunidade. O resto faz parte de nosso grupo de empatia. As pesquisas recentes de Oxford mostram que existem alguns grupos de intimidade e, jamais, ultrapassam 150. Em comum, todos têm alguma forma de música.

E o que tudo isso tem a ver com silêncio? É no silêncio que conseguimos nos emancipar, expandir e transcender. E onde se tem silêncio? Na música! Explico:

É impossível silêncio completo senão em uma câmara hermeticamente fechada. Todos os lugares contêm algum tipo de som. O som dos eletrônicos, dos animais, do ruflar das asas de um inseto, de nossa própria respiração.

Silêncio completo só ao se concentrar nas notas cautelosamente desenhadas antes de formarem uma bela canção. Dessas que hipnotiza. Que faz a batuta do maestro rasgar o ar, as caixas de som das casas de show trepidar. Todos os sons que fazem nosso tímpano reverberar. Tão importante que é esse sentido, é, o ouvido o mais protegido. O órgão espiral que nos faz ouvir flutua em líquido ajudando à absorver vibrações por acidente. Envolvido pelo osso petroso, abriga as células ciliadas. As mesmas células que os aviões e seus ruídos destroem uma a uma.

Lembro-me bem de ler Oliver Sacks (Alucinações Musicais) ter escrito que ouvir música não é apenas auditivo e emocional. É algo motor. Para mim, som é primeiro-motor, o átomo primordial. O Big Bang cria o mundo. O som cria a vida.

A vida não é boa nem ruim. A vida é som que ressoa diferente para cada pessoa visto que ouvimos desde o período natal. No tempo embrionário. Na eternidade astral.
Não quero ser bom. Quero apenas ser, humano....

*http://pt.scribd.com/doc/2086636/A-CONVERSAO-DO-DIABO


17 março 2012

Vida é Escolha

Em alguns momentos de nossas vidas nos sentimos vazios, ocos, descobertos de felicidade ou satisfação plena. Preguiçosos que somos dizemos logo:

-É porque estou solteiro.
- É porque estou em um relacionamento ruim.
- Por causa do meu trabalho.
- Porque estou sem trabalho.

Milhares de frases, como as acima, estão sempre na ponta língua. Uma verdade que parece ser mais difícil de alcançar é aquela que vem do esforço. Sortudos os que vêm por um insight. Acaso ou esforço sempre é um lance de sorte. Explico.

Mesmo quando nos esforçamos arduamente, nos empenhamos como nunca antes e temos a maior força de vontade do mundo, nem sempre o resultado – que queremos- é atingido. Longe das verdades absolutas, perto das possibilidades infinitas, me parece que o motivo para nossa frustração reside no nosso sucesso mágico de outras vezes.

Por exemplo, uma vez (ou muitas vezes) usei remédios para emagrecer. Os resultados eram fantástico. Quilos e mais quilos perdidos mesmo comendo carolinas todos os dias. Isso tudo mesmo sem fazer nenhum tipo de dieta balanceada. Algum tempo depois, e doses cavalares aumentadas e o único efeito da medicação foi irritação e falta de sono.

Em outros momentos, tristes e desanimados, lançamos mão de um sem-fim de remédios psiquiátricos para dar um ‘gás’. Nossa produção aumenta e tudo parece ter mais sentido. A energia volta e dizemos estar no melhor momento de nossas vidas. Quem não toma um anti-depressivozinho vez ou outra?

Ou mesmo querendo aproveitar noites sem fim usamos as inofensivas bebidas energéticas combinadas com álcool ou até mesmo uma balinha ou outra droga ‘recreativa’.

Algum tempo depois, e não muito, a vida joga um véu negro sobre nós e já não é tão fácil encontrar aquela deliciosa alegria de viver de antes. Uma conquista ou duas parecem não ser o suficiente. Claro, ‘eu quero sentir aquele big-bang’ de contentamento que sentia antes com a ajuda externa.

É, assim fica cada vez mais difícil emagrecer, animar-se, ter disposição, sentir-se feliz. Aí lançam-se novas drogas e alternativas para conseguir tudo novamente. Tudo mais difícil, poucas vezes não.

Seremos dependentes dos agentes externos eternamente? Os agentes internos dariam conta sozinhos?

Uma coisa é garantida, vida é escolha. E escolhas, são reversíveis. A que preço? Ah.... o preço....  

05 março 2012

Vida era atalho, agora é trabalho

Não vivi tragédias. Não tive histórias de dignas de páginas policiais. O que tenho são dilemas existenciais.
Sofro de busca de sentido na vida. Não aceito uma vida sem sentido. Isso dói às vezes e parece que toda força se esvai.

Hoje, sei que preciso inventar algo que faça sentido pra mim. Ainda assim, não é fácil. Gonzaguinha já disse: vida é trabalho. Eu sempre disse: vida é atalho.
Depois dos 30 entendi que Gonzaguinha era quem estava certo. Ao menos depois dos 30. Por isso, vamos ligar os motores a pleno vapor e deixar o carro desligado na descida pra relaxar um pouco. 

16 janeiro 2012

Zelig Wood e o fim da Lâmpada Mágica

Tenho andado por atalhos há um bom tempo.

O corpo que tive não era meu.

Os jogos de dados mallarmaicos estão deixando de ser um lance de sorte.

Dos três pedidos ao gênio da lâmpada, já usei dois.

As passagens secretas estão se desmontando depois de serem usadas. E as palavras mágicas estão em outras línguas.

Beirando os 30, me dei conta que tudo isso só foi possível por um terço de vida (afinal quem dúvida que possamos chegar aos 90?). Então, o corpo não responde mais com tanta pressa; o cérebro dá sinais de cansaço e não suporta mais a caótica metrópole sem ao menos dar sinais de estafa.

Caminhar até Ítaca por trilhas curtas só dá certo por um período. Ao menos os ciclopes também já estão hipermetropes. Explico: a partir de agora não existirão mais tantas fórmulas milagrosas para conseguir o que se quer sem que haja esforço, foco e perseverança. Os acertos que não precisaram ser rascunhados, agora, requerem folhas e mais folhas de papel amassado até chegar à versão final.

Escrever uma grande obra de cá adiante exigirá muito rascunho.

Não há mais tempo para se vestir de Leonard Zelig e agir como camaleão para aprovação alheia.

Então, é tempo de planejar, pensar antes de falar e, só então arriscar. Ainda assim com grandes chances de errar. E errar feio!
Pra recomeçar vai ser proibido comparar com os tempos de atalhos.

Para o próximo terço de vida sugiro que guardemos um dos pedidos ao gênio... um pedido por amor.

12 novembro 2011

Em busca de Sentido

Em algum lugar, não muito distante daqui, uma moça com brilho nos olhos castanhos escuros se prepara para sua festa de casamento sem se dar conta de a madrinha de seu noivo não a querer bem.


Em outro quarteirão, nem tão afastado, um rapaz de pernas bambas espera sua grande entrada para encenar seu sonho de verão. Ele não faz ideia de na plateia estar um menino gordinho que queria estar em seu lugar.


Perto de lá, um grupo de jovens bebe e ri alto enquanto decidem o que fazer para salvar o mundo. Mal podem notar a garçonete louca para sentar entre eles. 


O mesmo mundo de uma bailarina manca que, para continuar dançando, ensaia sua dança do ventre no mesmo instante em que sua irmã a olha com ar de reprovação pelo perigo de se machucar, e por ser ela a querer ter a força de não desistir.


No mesmo lugar em que uma velha senhora completa seu passatempo para o cérebro não atrofiar, sua nora a classifica como à-toa. Sendo ser ela quem queria brincar um pouco para não deixar seus pensamentos tão escuros.


Todas pessoas com consciência plena para não deixar o dia apenas passar. 


Sem se dar conta fazem o tempo não bastar para elas. 


Cada um deles está aqui e acolá o tempo todo, agindo, só é preciso notar. Os olhos alheios, ah, esses serão sempre coadjuvantes.Quando você notar isso irá entender o sentido da vida. 



Foto: Olhares  editada

03 outubro 2011

Lembrar para esquecer

As voltas com aquela sensação. Aquela sabe? da insegurança, da dúvida, da desconfiança, da baixa autoestima, do será-que-é?


Aquela suspeita sobre bater e encarar, ou correr e se esconder. Ah se eu estivesse mais magro, se minhas roupas fossem mais descoladas, ou mais sérias, ou mais sóbrias... e aí vem o pensamento de uma nobre amiga. “Se beleza bastasse, a Luana Piovani não teria metido um par de chifre no Rodrigo Santoro”.


Simplista ou não, essas não são reais razões para viver. Apenas um monte de inseguranças que nos afastam de nosso coração.


Tente então se lembrar. Recordar de como era viver de um modo melhor. Por mais que pareça estar longe, está dentro. Nos sonhos mais selvagens. Nas noites mais intensas. Nas manhãs mais lentas. No ontem, no amanhã, no hoje. Não sei importe se não conseguir agora. Apenas apague as luzes..


...Tente se lembrar....

10 setembro 2011

Loniness X Aloneniness (Isolado ou Sozinho)



Querer ficar sozinho tem sempre um tom de pesar? Nunca entendi alguém que sofre querer ficar só.

Tenho uma amiga que vira e mexe diz, em pleno sábado, que quer ficar bem, em casa, de pantufas, assistindo Zorra Total na TV. (assim mesmo, cheio de vírgulas). Um dos poucos momentos que a vejo respirando. Sempre encarei essa frase com certa tristeza. Como se ela quisesse dizer “Socorro, estou sozinha, me ajude!”.

Muito tempo passou desde a primeira vez que me disseram sobre a importância de ficar sozinho e, parece que continuo com dificuldades para colocar esse conceito em prática. Sempre achei um despautério quando ouvia pessoas dizerem “Preciso ficar só...”.

Como assim preciso? Pra mim estamos sozinhos o tempo todo. O correto seria dizer “Preciso de Companhia”.

O fato é que no nosso cenário, levamos tão a sério a coisa do coletivo para poder sobreviver que deixamos de ser singular para poder transcender. É meio psicanalítico sabe? Quando estamos sozinhos passamos a enxergar o outro e aí podemos ser mais de nós mesmos e deixar o outro ser mais dele.
Só ficando um tempo sozinho é que dá para entender que ficar em casa sábado a noite não é algo penoso ou triste, é algo como não sucumbir ao coletivo no dia e horário símbolos máximo do agrupar-se. Aquela minha amiga bonita, alto-astral, inteligente, que nada tinha a ver com uma pessoa sem amigos talvez nem soubesse o quanto estava me ensinando.

A atriz da novela da novela das 8 de vinheta brega, tinha algo a dizer também com seu bordão. Apesar da voz rouca infantil e quase mimada, mostrava que realmente queria ficar com seus botões ao invés de flanar com as amiguinhas ou torrar o cartão de crédito do pai com a mãe para esquecer dores de amor.

O melhor de ficar sozinho é ficar por opção. Não o tempo todo. Contudo, quando escolher ficar sozinho, poder lembrar que tem amigos que se importam e que amanhã pode procura-los. Se estiverem ocupados, tudo bem... dá pra ficar bem sozinho por hoje. 

04 setembro 2011

Meia vida


Como é voltar a não dividir a vida?

Não é preciso muito tempo para nos acostumar à presença de alguém que tivemos convivência doméstica. Cinco meses foram o suficiente. Acredito que a duração dos  relacionamentos deve ser contada em anos. O resto é carência ou experimento.

Sempre insisti em dar certo. De uns tempos para cá parei com isso. Diminui de três anos para dois, outro de dois e meio e um último de dois. Os dois últimos nove meses e cinco meses respectivamente. Cada um com uma particularidade. Confesso que resultaram em amadurecimento. Tanto para buscar histórias melhores quanto para não machucar pessoas.

Quanto mais querida uma pessoa, menor a vontade de machucar. Terminando ou terminado, o fim é sempre difícil. Como lidar com o vazio?

Quando temos alguém, pensamos nossa agenda baseado em mais uma opinião além da nossa. Outra vontade, outros desejos, compartilhados ou não, buscamos equalizar as decisões.

Já sozinho, as decisões são exclusivamente nossas. É o que nós queremos, quando queremos e como queremos. No começo isso parece inadequado e até errado. Como posso eu sair à noite sem pedir autorização ou avisar outra pessoa? Como posso não ter alguém a quem me dirigir?

Acostumar-se à liberdade é penoso. Imploramos quase que de joelhos para sermos controlados. O tempo todo. A decisão é sempre nossa. Difícil é decidir por ser livre. 


14 agosto 2011

Empregado X Empregador


Na lista dos prós como empregado estão uma certa estabilidade, resumir as atividades a serem executadas de acordo com sua profissão e algo mais que está difícil pensar agora. Entres os prós de ser empregador estão liberdade para tomar decisões, ampliação do envolvimento integral e mais rentabilidade.

No lado de pontos negativos de ser empregado estão: limitações severas: financeira, para tomada de decisões e aplicações de ideias. Como empregador, (des) controle administrativo, falta de tempo para desempenhar a profissão e, constante falta de suporte negocial.

Tentando entender qual é o melhor caminho pensei, ‘onde entra minha vocação nisso tudo’?
Recentemente ouvi dizer que nossa vida de trabalho está dividida em alguns momentos. Profissão, Emprego e Vocação. Estou na luta pela busca da vocação. Quantos de nós não estão? Muitos!

Viver em grandes metrópoles e, cada dia mais nas pequenas também, envolve uma angústia diária. De dar conta de duas coisas ao mesmo tempo, de alcançar cada vez mais objetivos inalcançáveis, de torna-los alcançáveis até encontrar novas quimeras. Entre um momento e outro encontramos os amigos e a família. 

Nesses momentos costumamos falar do passado ou das dificuldades dos momentos atuais e, por que não, também das utopias futuras. Aí existem as pessoas que preferem calar a angústia gritante ocupando-se de empregos até encontrar ou não, sua vocação neles. Há ainda os que querem vocações que não existem mais. E os que querem reinventar vocações.

Como escutar o chamado interno? O tal vocare? No silêncio muitos dizem. Prefiro buscar no compartilhamento e interação. Em certo momento confesso que é preciso do silêncio. Mas só o silêncio não basta.

Ficar no silêncio é como ser empregado. Falar demais é como ser empregador. 

09 julho 2011

E-mails não substituem cartas de suicídio


Quando pensamentos desesperançosos chegam ao ápice, muitas pessoas querem não colocar fim a própria vida, mas sim, a dor.

“Há uma censura do suicídio. Política, religiosa, social, natural até, pois a senhora Natureza não gosta que tomemos liberdades com respeito a ela, quer manter-nos sob suas rédeas até o fim, quer decidir por nós. Quem decide em relação à morte dos homens? .... A sociedade decide, assim, a data da nossa morte pela qualidade da nossa alimentação, pela periculosidade do nosso ambiente cotidiano, pelas nossas condições de trabalho e de vida...” (Martin Page em Como Me Tornei Estúpido)

Quando você finalmente tiver decidido pôr fim à própria vida, tome alguns cuidados. Pense cautelosamente. Não aja por impulso. Não se pode morrer duas vezes.

Escolha como vai fazer, quais as garantias para obter sucesso, o motivo da escolha, os prós e os contras, o que sente de verdade. Sentiria-se do mesmo jeito caso algo mudasse? O que poderia mudar? A maior parte das coisas do mundo é reversível. Trazer alguém de volta à vida é impossível. Diga, honrar o nome da outra pessoa que já se foi seria insuportável a ponto de não te deixar mudar de opinião e viver por ela?

Qual é o motivo para você querer morrer? E para querer viver? Tem motivos para ambos? A vida é mais penosa? ou seria a morte exterminar todas as chances de viver e de fazer diferente?

Caso tenha decidido pela morte por tão dura, fria e sofrida a vida lhe parecer, escreva uma carta. De próprio punho. Desenhe cada letra cuidadosamente. Se você não é capaz disso, não deve se matar. Se chorar compulsivamente por estar escrevendo a carta, é sinal de que ainda não está preparado para isso.

Mas, antes mesmo de escrever a carta, recolha todo seu dinheiro possível. Visite papelarias, hotéis, bancas de revistas, supermercados. Olhe com atenção tudo que passa ao redor e procure o papel e o envelope mais bonito de todos. O que seja bonito para você. Que faça sentido.

Veja papéis de carta, envelopes de todas as cores... pode ser branco. Desenhados ou lisos. Escolha uma bela caneta. Diferentes tipos de canetas e tintas.

Veja a imensa variedade que existe em todas as coisas e, enquanto isso, espero que perceba que não vale a pena escrever uma carta de suicídio.



25 junho 2011

Glasnost Vs Perestroika

Durante muito tempo fiquei tentando me reencontrar. Muitas dúvidas e incertezas pairaram acerca do que fantasiava sobre mim. Se fosse o que meus sonhos diziam, tentaria procurar uma forma de voltar a ser.
Na busca por tal quimera, desafiei meu próprio corpo longos períodos não datados. Passei por tormentas, inadequações, procura por caminhos ditados por especialistas – os tais ‘corretos’ para recuperar a tal homeostase.

Adoeci. Fiquei sem forças, envenenado pelas minhas próprias crenças do que seria o padrão para todos. Lua após lua soterrei a construção de minhas próprias narrativas.

Um mapa natal pré-fabricado do que deveria ser certo. De uma gravidez planejada e tratamentos de fertilidade para cavar uma nova vida, ninguém precisava se preocupar mais comigo. Eu mesmo já fazia isso em excesso. Faltava o ar. E o mesmo elemento faltou na infância como asma, na adolescência como síndrome do pânico e na entrada da fase adulta, entre um cigarro e outro.

Seres humanos em geral pensam, sentem e enterram seus mortos.  Eu, só queria saber o porquê. É como se no momento em que soubesse o motivo para isso reencontraria algo que fui antes de nascer. Mais sóis se sobrepuseram às luas na caça pelo natimorto que me tornava. No entanto, faltava entender que o encontro não era com os mortos, mas com os vivos.

Sorrateiro o destino foi cruel. De uma truculência avassaladora até clamar com energia  por ajuda à providência divina: “Se Deus existe, está na hora d´Ele me ajudar...”. E nada deus respondeu. Era hora do deus em mim fazer algo.

Não sei se algum dia fui o que penso ser. Mas sim, sei que quero ser o que imagino pra mim.

06 maio 2011

Cravos e Uvas

Dormir para mim é higiene mental. Quando não durmo, fico sujo o dia todo. Sensação física mesmo. Como se não tomasse banho há dias. Ando sem dormir direito, logo, recorro ao consultório virtual que é este blog.
Que as pessoas tenham necessidades estamos carecas de saber. E o que pautam essas necessidades? Ego, ego e mais ego. Não me venham com discursos vazios.

Quantas vezes uma necessidade é real? Raríssimas. As minhas são raras, porque as suas não seriam? Para com isso vai.... sem hipocrisia por hoje. A minha atual grande crise é essa. Qual é minha real necessidade? O que me motiva? O que me mataria se fosse tirado de mim? Não aprontei muito, aprontei na medida. Tem um pouco pra aprontar, mas sem perder a mão.

Certamente perder minha leveza não é. Não sou nada leve. Sou intenso. Pessoas intensas não são leves. São pesadas, perigosas. Divertidas também, admito. Corro da leveza por medo de ficar apático. Então, ao se defrontado pela possibilidade de ter que desacelerar.... falta o ar!

Que mania que muitas pessoas têm de achar que eu sou santo, príncipe. O próximo que disser isso vou mostrar minha auréola amassada e minhas asas despenadas.

E se eu não puder curar o mundo? E se eu perceber minha insignificância de ter que me contentar em ser só um cuidado paliativo? E nem dar minha própria vida (o bem mais valioso que posso oferecer) for o suficiente?

Mártires de todo o mundo deviam ter tanatos muito mais presente que pulsão de vida. É impossível pensar em ser mártir para correr o risco de dar o que tem de mais valioso sem ter certeza que vai ‘obter a graça desejada’. Melhor é fazer uma promessa, acreditar no divino.... bom... eu vou continuar pensando. Assim, continuo vivo. Trocando um cálice de cicuta por uma taça de vinho e um maço de cigarros de cravo.

20 março 2011

Tens um amigo em Mim

´Não há solidão mais triste do que a do homem sem amizades. A falta de amigos faz com que o mundo pareça um deserto’. Francis Bacon
Então tudo continua. E o que move as amizades se não for o compartilhar? Dessa vez me peguei pensando em conceitos de amizade.

Sem paciência para recorrer aos antigos e contemporâneos filósofos, tem um tipo de amizade que dá para sentir. Amigo não é só sair pra dar risada. Nem só sair pra falar de problemas.

Amigo é sair pra falar de problemas e, depois, aliviar a alma dando risadas.


Amigo erra e amigo ferra. Ainda assim, amigo é aquele que percebe – ou é percebido – e pede desculpas.

As amizades que mais duram são aquelas que nenhum dos lados se anula. São as que os dois se escutam. Que os dois interagem.

Tem amigo que prefere ficar calado. Quando fala era melhor ter ficado calado. Tem amigo que deve falar. E quando fala, devia ter falado antes – assim não cometeríamos algumas bobagens que o nosso parceiro poderia ter nos aberto os olhos e impedido.

Amigo é assim. É como casamento, sem o sexo e sem o contrato. Tem amigo que inclui o sexo. Bom.... pra mim isso não é amizade, é outra coisa!

20 fevereiro 2011

Bloco de Notas Azul


Inevitável fazer reflexões. Nos últimos dias elas estão em todos os espaços de tempo. Então temos os tipos clássicos quando se trata de enlaces.... aqueles tipos que juram querer casar até concretizar a sedução. Depois disso vem uma conversa de reavaliação. Quando a possibilidade do comprometimento chega perto disso, se assustam e dão dois passos pra trás.

Algo como “Hum... aqui tá legal... mas pode ser quem tenha algo melhor pra mim no mercado. Afinal eu sou muito bom”.

Enquanto mulheres agarram a primeira chance que sentem que pode ser certa, homens – em geral- sempre pensam que pode haver mais opões interessantes no mundo. Ainda se valem de argumentos como "Eu já sofri por outra pessoa e não quero incorrer no mesmo erro” ou, “estou reavaliando minha vida... agora não é a hora certa” e, tem ainda o: “você é muito bacana mas.. (complete aqui com a desculpa que quiser)”.

O fato é, se ele não insistir em você é porque você não deve investir nele. Mulheres e homens operam de modo diferente. Não é à toa que o pedido de casamento vem do homem por exigência da mulher. Homens dificilmente querem casar baseados em preceitos de monogamia e felicidade eterna. Querem casar por modelos de uma mãe para seus filhos, uma esposa para cuidar de si, na ausência da mãe. Na modernidade, alguém para dividir as contas.

Homens são solitários e egoístas. Ambiciosos e movem mundos por isso. Fixam-se sobre as próprias pernas para ir adiante e conseguirem se livrar de riscos. Do risco de um amor que não seja sincero. E, por isso, jamais encontram algo que o valha.

Homens que agem diferente operam como mulheres. Estes estão destinados a sofrerem como elas.
Graças aos céus que existem as exceções. Afinal, tudo pode acontecer, inclusive, nada.