14 agosto 2011

Empregado X Empregador


Na lista dos prós como empregado estão uma certa estabilidade, resumir as atividades a serem executadas de acordo com sua profissão e algo mais que está difícil pensar agora. Entres os prós de ser empregador estão liberdade para tomar decisões, ampliação do envolvimento integral e mais rentabilidade.

No lado de pontos negativos de ser empregado estão: limitações severas: financeira, para tomada de decisões e aplicações de ideias. Como empregador, (des) controle administrativo, falta de tempo para desempenhar a profissão e, constante falta de suporte negocial.

Tentando entender qual é o melhor caminho pensei, ‘onde entra minha vocação nisso tudo’?
Recentemente ouvi dizer que nossa vida de trabalho está dividida em alguns momentos. Profissão, Emprego e Vocação. Estou na luta pela busca da vocação. Quantos de nós não estão? Muitos!

Viver em grandes metrópoles e, cada dia mais nas pequenas também, envolve uma angústia diária. De dar conta de duas coisas ao mesmo tempo, de alcançar cada vez mais objetivos inalcançáveis, de torna-los alcançáveis até encontrar novas quimeras. Entre um momento e outro encontramos os amigos e a família. 

Nesses momentos costumamos falar do passado ou das dificuldades dos momentos atuais e, por que não, também das utopias futuras. Aí existem as pessoas que preferem calar a angústia gritante ocupando-se de empregos até encontrar ou não, sua vocação neles. Há ainda os que querem vocações que não existem mais. E os que querem reinventar vocações.

Como escutar o chamado interno? O tal vocare? No silêncio muitos dizem. Prefiro buscar no compartilhamento e interação. Em certo momento confesso que é preciso do silêncio. Mas só o silêncio não basta.

Ficar no silêncio é como ser empregado. Falar demais é como ser empregador. 

09 julho 2011

E-mails não substituem cartas de suicídio


Quando pensamentos desesperançosos chegam ao ápice, muitas pessoas querem não colocar fim a própria vida, mas sim, a dor.

“Há uma censura do suicídio. Política, religiosa, social, natural até, pois a senhora Natureza não gosta que tomemos liberdades com respeito a ela, quer manter-nos sob suas rédeas até o fim, quer decidir por nós. Quem decide em relação à morte dos homens? .... A sociedade decide, assim, a data da nossa morte pela qualidade da nossa alimentação, pela periculosidade do nosso ambiente cotidiano, pelas nossas condições de trabalho e de vida...” (Martin Page em Como Me Tornei Estúpido)

Quando você finalmente tiver decidido pôr fim à própria vida, tome alguns cuidados. Pense cautelosamente. Não aja por impulso. Não se pode morrer duas vezes.

Escolha como vai fazer, quais as garantias para obter sucesso, o motivo da escolha, os prós e os contras, o que sente de verdade. Sentiria-se do mesmo jeito caso algo mudasse? O que poderia mudar? A maior parte das coisas do mundo é reversível. Trazer alguém de volta à vida é impossível. Diga, honrar o nome da outra pessoa que já se foi seria insuportável a ponto de não te deixar mudar de opinião e viver por ela?

Qual é o motivo para você querer morrer? E para querer viver? Tem motivos para ambos? A vida é mais penosa? ou seria a morte exterminar todas as chances de viver e de fazer diferente?

Caso tenha decidido pela morte por tão dura, fria e sofrida a vida lhe parecer, escreva uma carta. De próprio punho. Desenhe cada letra cuidadosamente. Se você não é capaz disso, não deve se matar. Se chorar compulsivamente por estar escrevendo a carta, é sinal de que ainda não está preparado para isso.

Mas, antes mesmo de escrever a carta, recolha todo seu dinheiro possível. Visite papelarias, hotéis, bancas de revistas, supermercados. Olhe com atenção tudo que passa ao redor e procure o papel e o envelope mais bonito de todos. O que seja bonito para você. Que faça sentido.

Veja papéis de carta, envelopes de todas as cores... pode ser branco. Desenhados ou lisos. Escolha uma bela caneta. Diferentes tipos de canetas e tintas.

Veja a imensa variedade que existe em todas as coisas e, enquanto isso, espero que perceba que não vale a pena escrever uma carta de suicídio.



25 junho 2011

Glasnost Vs Perestroika

Durante muito tempo fiquei tentando me reencontrar. Muitas dúvidas e incertezas pairaram acerca do que fantasiava sobre mim. Se fosse o que meus sonhos diziam, tentaria procurar uma forma de voltar a ser.
Na busca por tal quimera, desafiei meu próprio corpo longos períodos não datados. Passei por tormentas, inadequações, procura por caminhos ditados por especialistas – os tais ‘corretos’ para recuperar a tal homeostase.

Adoeci. Fiquei sem forças, envenenado pelas minhas próprias crenças do que seria o padrão para todos. Lua após lua soterrei a construção de minhas próprias narrativas.

Um mapa natal pré-fabricado do que deveria ser certo. De uma gravidez planejada e tratamentos de fertilidade para cavar uma nova vida, ninguém precisava se preocupar mais comigo. Eu mesmo já fazia isso em excesso. Faltava o ar. E o mesmo elemento faltou na infância como asma, na adolescência como síndrome do pânico e na entrada da fase adulta, entre um cigarro e outro.

Seres humanos em geral pensam, sentem e enterram seus mortos.  Eu, só queria saber o porquê. É como se no momento em que soubesse o motivo para isso reencontraria algo que fui antes de nascer. Mais sóis se sobrepuseram às luas na caça pelo natimorto que me tornava. No entanto, faltava entender que o encontro não era com os mortos, mas com os vivos.

Sorrateiro o destino foi cruel. De uma truculência avassaladora até clamar com energia  por ajuda à providência divina: “Se Deus existe, está na hora d´Ele me ajudar...”. E nada deus respondeu. Era hora do deus em mim fazer algo.

Não sei se algum dia fui o que penso ser. Mas sim, sei que quero ser o que imagino pra mim.

06 maio 2011

Cravos e Uvas

Dormir para mim é higiene mental. Quando não durmo, fico sujo o dia todo. Sensação física mesmo. Como se não tomasse banho há dias. Ando sem dormir direito, logo, recorro ao consultório virtual que é este blog.
Que as pessoas tenham necessidades estamos carecas de saber. E o que pautam essas necessidades? Ego, ego e mais ego. Não me venham com discursos vazios.

Quantas vezes uma necessidade é real? Raríssimas. As minhas são raras, porque as suas não seriam? Para com isso vai.... sem hipocrisia por hoje. A minha atual grande crise é essa. Qual é minha real necessidade? O que me motiva? O que me mataria se fosse tirado de mim? Não aprontei muito, aprontei na medida. Tem um pouco pra aprontar, mas sem perder a mão.

Certamente perder minha leveza não é. Não sou nada leve. Sou intenso. Pessoas intensas não são leves. São pesadas, perigosas. Divertidas também, admito. Corro da leveza por medo de ficar apático. Então, ao se defrontado pela possibilidade de ter que desacelerar.... falta o ar!

Que mania que muitas pessoas têm de achar que eu sou santo, príncipe. O próximo que disser isso vou mostrar minha auréola amassada e minhas asas despenadas.

E se eu não puder curar o mundo? E se eu perceber minha insignificância de ter que me contentar em ser só um cuidado paliativo? E nem dar minha própria vida (o bem mais valioso que posso oferecer) for o suficiente?

Mártires de todo o mundo deviam ter tanatos muito mais presente que pulsão de vida. É impossível pensar em ser mártir para correr o risco de dar o que tem de mais valioso sem ter certeza que vai ‘obter a graça desejada’. Melhor é fazer uma promessa, acreditar no divino.... bom... eu vou continuar pensando. Assim, continuo vivo. Trocando um cálice de cicuta por uma taça de vinho e um maço de cigarros de cravo.

20 março 2011

Tens um amigo em Mim

´Não há solidão mais triste do que a do homem sem amizades. A falta de amigos faz com que o mundo pareça um deserto’. Francis Bacon
Então tudo continua. E o que move as amizades se não for o compartilhar? Dessa vez me peguei pensando em conceitos de amizade.

Sem paciência para recorrer aos antigos e contemporâneos filósofos, tem um tipo de amizade que dá para sentir. Amigo não é só sair pra dar risada. Nem só sair pra falar de problemas.

Amigo é sair pra falar de problemas e, depois, aliviar a alma dando risadas.


Amigo erra e amigo ferra. Ainda assim, amigo é aquele que percebe – ou é percebido – e pede desculpas.

As amizades que mais duram são aquelas que nenhum dos lados se anula. São as que os dois se escutam. Que os dois interagem.

Tem amigo que prefere ficar calado. Quando fala era melhor ter ficado calado. Tem amigo que deve falar. E quando fala, devia ter falado antes – assim não cometeríamos algumas bobagens que o nosso parceiro poderia ter nos aberto os olhos e impedido.

Amigo é assim. É como casamento, sem o sexo e sem o contrato. Tem amigo que inclui o sexo. Bom.... pra mim isso não é amizade, é outra coisa!

20 fevereiro 2011

Bloco de Notas Azul


Inevitável fazer reflexões. Nos últimos dias elas estão em todos os espaços de tempo. Então temos os tipos clássicos quando se trata de enlaces.... aqueles tipos que juram querer casar até concretizar a sedução. Depois disso vem uma conversa de reavaliação. Quando a possibilidade do comprometimento chega perto disso, se assustam e dão dois passos pra trás.

Algo como “Hum... aqui tá legal... mas pode ser quem tenha algo melhor pra mim no mercado. Afinal eu sou muito bom”.

Enquanto mulheres agarram a primeira chance que sentem que pode ser certa, homens – em geral- sempre pensam que pode haver mais opões interessantes no mundo. Ainda se valem de argumentos como "Eu já sofri por outra pessoa e não quero incorrer no mesmo erro” ou, “estou reavaliando minha vida... agora não é a hora certa” e, tem ainda o: “você é muito bacana mas.. (complete aqui com a desculpa que quiser)”.

O fato é, se ele não insistir em você é porque você não deve investir nele. Mulheres e homens operam de modo diferente. Não é à toa que o pedido de casamento vem do homem por exigência da mulher. Homens dificilmente querem casar baseados em preceitos de monogamia e felicidade eterna. Querem casar por modelos de uma mãe para seus filhos, uma esposa para cuidar de si, na ausência da mãe. Na modernidade, alguém para dividir as contas.

Homens são solitários e egoístas. Ambiciosos e movem mundos por isso. Fixam-se sobre as próprias pernas para ir adiante e conseguirem se livrar de riscos. Do risco de um amor que não seja sincero. E, por isso, jamais encontram algo que o valha.

Homens que agem diferente operam como mulheres. Estes estão destinados a sofrerem como elas.
Graças aos céus que existem as exceções. Afinal, tudo pode acontecer, inclusive, nada.

06 dezembro 2010

Caleidoscópio d´ouro


Algumas cores nem sempre conseguimos identificar. O arco-íris subitamente se desfaz no ar e as nuvens se juntam como quem esconde o pote de ouro. 

Quando você tem um pote desses com muitas pepitas, não é difícil as nuvens serem refletidas no pós-chuva. Desejadas. 

Se você quer o metal todo só para si, corre o risco de ficar sem arco-íris. Se apresentar o pote ao sol, também corre esse risco.

Sempre vai existir uma reação química, social, emocional em tamanho Único. Sempre vai existir a cauda longa. Em todo o tempo haver também um caleidoscópio a fragmentar as cores e reuni-las na outra ponta. Desde que você arrisque olhar.

Essa é a imagem da amizade, das redes de relacionamento e, por que não, do amor.


10 novembro 2010

Realidade


A realidade é um duro golpe. Porém, quando chega é capaz de trazer a tranquilidade do sono dos recém-nascidos.

Muita gente não se conforma com a realidade. Há os que inventaram a realidade aumentada. Os que conceberam a realidade paralela e, ainda, os que divergem e perguntam o que é o real.

De todos, invejo aqueles que vivem a realidade. Esses são portadores das notícias. Ainda sim vivem sem sofrer... No entanto, sofrem sem viver.

Se quem habituar-se à realidade sofre e quem não vive quer dar cabo à própria vida, melhor é arriscar. E se não der certo, tentar novamente.

12 setembro 2010

Quando não se consegue dormir

Que sentimento mais confuso
não me deixa entregue a Morpheu,
não me leva à Vênus.
Me sufoca como quebranto.

Parece feitiço bem feito,
amarrado em boca de sapo,
passa linha vermelha de trapo.
Amor de corpo ou de alma?

Falta de sentir o outro,
dor latejante no peito pior que o parto,
coração dilacerado por tanto sofrimento.

Se amar é assim quando se está longe,
prefiro me entregar ao descaso do acaso descompassado
de não sentir dor nenhuma.

22 agosto 2010

Impatiens, Chamomille, Lavander e Rock Rose


Tem algo que eu havia esquecido sobre o tempo. Quando saio do roteiro escrito para mim, os ossos tremem, as carnes chacoalham, os músculos se contraem em movimentos involuntários.
É como se abrisse o forno cedo demais e uma corrente de ar frio não deixasse a obra de cerâmica, no forno de barro, terminar seu processo corretamente.  Como se o modelo visse seu retrato antes do pintor terminar sua obra. Como se o escritor morresse antes de terminar sua biografia.
Nessas horas a impaciência bate à porta e o pânico vem à tona. A derradeira vontade de se aventurar e fazer o que parece ser, viver realmente, é confrontada com o terror de sair do prumo e não conseguir mais voltar. Ir ou vir?
No meio do caminho uma ansiedade paralisante observa incauta ao que há por vir. A jornada pode ser a chance. Tudo ficará de pernas para o ar, e isso será finalmente bom, ou é o caminho sem ponto de fuga?
Ficar e esquecer as derrapadas. Manter-se no storyboard parece deixar algum controle. E quem precisa de controle? Bem, eu preciso.

Goldfrapp - Caravan Girl from Mute Records on Vimeo.

21 agosto 2010

Livro pela metade

O ser humano tem dessas coisas curiosas. Acha que dinheiro pode trazer tudo. Depois descobri que a tal 'qualidade de vida' vale mais. Qual o problema em ganhar muito dinheiro tendo qualidade de vida?

Talvez a única coisa seja não pensar em ganhar muito dinheiro fazendo o que gosta. Reflexões depois de ver metade de Julie & Julia.

 Me sinto um tanto Julia sem fazer sem terminar várias das coisas que eu começo. Prefiro deixar o tempo se encarregara de terminar.

13 julho 2010

Respirar

Hoje o vento falou comigo enquanto soprava por entre as árvores. 




Passava tímido e movimentava as folhas verdes vivas deixando os raios de sol tocarem meu corpo.

Lágrimas escorreram como luz que caia dos olhos e iluminaram meu rosto.

Sei que minha respiração é de verdade... é meu coração que pulsa sangue e faz meu pulmão se contrair e expandir. Respirar. Re- expirar. Expulsar o ruim e inspirar o bom.

O sol vem falar a verdade. Sentir isso é meditar.

Para as estrelas, prometo cuidar de tudo. Sempre.

Pic: Copyright Todos os direitos reservados a Choi_zan

05 julho 2010

2-feira

Queria ser forte mais forte. Mas não sou. Ou talvez resida aí a minha força. Por dizer/ escrever isso agora.


Estou imensamente triste. Me apunhala abrir a caixa de e-mails e não ter mensagens. Me sufoca não não ver torpedo ou a imagem e música tema que destinei para aparecer e tocar em meu celular.

Me congela o coração e a alma. E meus dedos por consequencia evitam digistar um número de telefone para não perturbar. Já pedi muito. Mas estou cansado.

Os minutos que antes corriam rápido demais para a chegada.... agora se arrastam pq não vamos nos ver mais. Os dias frios que davam a saudade de um edredom, agora me isolam. As pessoas que por ventura olhem pra mim.... não me interessam. O trabalho, não me interessa. A pós, não me interessa. Eu não sabia. Mas era essa a minha inspiração.

Mas a cortina caiu. E você foi até a coxia me avisar, falando em tom austero e baixinho um segredo:

- Mágica não existe  caríssimo.... não fique triste. O que importa, é que o espetáculo foi aplaudido. Tentamos o melhor em cena. E o ato acabou.... você não precisa acreditar em mágica mais... a mágica só dura enquanto se está em cena.... atrás do palco, a pintura das paredes é falha, tudo é feio. E essa, é a realidade que te resta. Que resta a todos nós...


E eu que te quero tanto, sou agora cárcere da prisão perpétua que foi decidida

30 junho 2010

Soneto de união


Soneto de união

Hoje eu penso em você com calma;
Penso todos os dias, em doses homeopáticas e contínuas.
Doses equilibradas e equilibrantes;
Penso quando acordo, quando leio, quanto escuto, quando sinto.

Sinto você o tempo todo;
Sinto de verdade quando estou junto;
Sinto sua ausência quando estamos longe;
Sinto vontade de te ver, e rever, e rever...

Escrevo um soneto.
Sonetos são equilibrados;
Dois quartetos e dois tercetos.

Redijo nossa história com caneta de pena e botão digital.
Qualquer coisa que eu precise esperar,
Não me importa se for para respirar mais de você

R.L. (30/06/2010)

25 abril 2010

It´s all ´bout Love Or all ´bout ego?

A cultura pop diz “is all ´bout Love”. Mas o amor deixou de mover o mundo há muito tempo.

Espaçadas vezes o tal Amor volta a aparecer. Em uma catástrofe consumada, nas promessas de alguma filosofia religiosa, na miséria que está o mais distante possível – em outro país, continente ou ainda na esperança espetacularizada de algum show para arrecadar fundos para ajudar qualquer uma das anteriores- e viva a sociedade do espetáculo (Guy Debord que o diga).

Já arrecadar. Palavrinha curiosa. Remete aos tempos bíblicos do fisco malvado ou ainda dos tempos atuais e os tributos sorrateiros. E tudo vira comércio. Vira empresa. ‘É o econômico que determina o social e o político’. E seriam os relacionamentos diferentes? Ou seriam também esses arrecadações de fundos para o ego?

Sagitarianos não podem ter controle sobre toda a situação, pois se acomodam; geminianos juram não envolvimento para aí sim poderem se envolver; librianos têm a serenidade de deixar claro: “se não for você, será o próximo”...

O que é melhor para mim?
E para você?

O jogo do ‘eu não estou fazendo jogo’? A honestidade assustadora que faz o outro correr? O círculo nada virtuoso do quem muito apanha aprender a bater e depois esquece de como parar.

Algo me diz que o comedimento que angustia e depois premia tem parecido a melhor pedida. É o ligar sim. Mas sem insistir neuroticamente. Quem opta por nunca insistir acaba ficando com o mais fácil. Nunca estar disponível. Pois então, insista. E, se ao final, não der certo, não era pra ser e da próxima vez vamos nos angustiar menos.  Entenda como “ele apenas não está afim de você”.

Exista como alguém que se arrisca. Arrisque ser feliz. Caso alguém diga que felicidade não existe, invente a felicidade como Mark inventou a mentira no curioso “A Invenção da Mentira”.

Você consegue imaginar um mundo em que todo mundo fala a verdade? Isso mereceria um post inteiro sobre....



14 abril 2010

Dois


Podia ser poema,letra de canção, soneto, prosa ou verso.
Mas não. São dois espaços de texto divididos por uma linha só. Dois espaços de tempo, de dois iguais, diferentes pela forma que dividiram o seu próprio tempo.

Eu, moro no 2º andar. Ele, também.
A terapia é no 2º andar e, é na 2ª-feira o dia que temos mais tranqüilo para nos encontrar.

Dois, que serão para sempre dois. Mesmo quando são um, são verso e poema, são únicos e normais: UNI-verso
Que continue dois. Porque um, vezes um, continua um.
Já dois, vezes dois, multiplica, e viram quatro. Vira mais. E progride.

Dois é tato, paciência, companheirismo e multiplicação.
Dois, somos nós.

08 abril 2010

Moleskine

Curioso, comprei o livro com a receita da feliciade. 

FEDEX trocou e mandou Prozac no lugar. 

Aí comprei um moleskine, pena e nanquim pra inventar minha felicidade.... sabe como é escrever à pena.... não pode emprestar... ela pega seu jeito de escrever e só a gente mesmo consegue fazer o nanquim marcar o papel...

05 abril 2010

Sobre guarda-chuvas

Caminhos simplesmente existem. Não são desbravados. Alguns conseguem enxergar uma trilha em que ainda não existem pegadas e serem verdadeiros Casanovas que seduzirão e descartarão até o fim dos tempos. Limpam matas e resistem às alucinações do deserto até seu destino. São obstinados. Outros pegam trilhas prontas e aceitam os frágeis troféus por merecimento ao final do dia.

Existem ainda os que nasceram sem senso de direção aparente. Vivem. Pegam seu guarda-chuva e saem mar adentro correndo o risco de encontrar o caminho das Índias. Correm o risco de não achar a Índia mas, um novo mundo. E ainda assim, correm o risco de voltarem ao ponto de partida em seu velho mundo novo. Mesmo sabendo afinal que depois de ter viajado nada será igual no retorno.

Os que saem com objetivo, mas sem certeza de norte ou sul, sem roteiro ou rosa dos ventos, encontram em sua jornada outros iguais. Com ‘protetores-de-chuva diferentes’, mas com um interesse em comum.

O guarda-chuva mais extravagante chama atenção. Serve para ver de longe. O discreto e elegante preto de bolinhas brancas prêt-à-porter pede aproximação. O ordinário preto, tradicional, aceita o sim e o não. O vermelho desbotado esbanja uma sedução abarrotada que não convence aos olhos dos mais despertos.

São muitas opções pelo caminho. Inclusive a opção de não se aproximar de guarda-chuva algum. Seres humanos não nasceram para viverem isolados. É instinto de sobrevivência. É cada um ajudar o outro no que lhe falta e contribuir. Quando seu guarda-chuva quebra, aquele delicado e despretensioso prêt-à-porter guarda em si a possibilidade de continuar a jornada menos molhado e, com o aconchego da aproximação.

Então, é preciso não se perder. Quando a chuva pára, os guarda-chuvas são fechados e colocados juntos. Dando a falsa impressão de que qualquer um serve para a próxima jornada e sua eternidade aberta.

03 abril 2010

Participação I: Parte na Ação e nível de comprometimento

Está com preguiça? Leia só o negrito:

Não entendo o comportamento de alguém que dá sinais espasmódicos de interesse. Não é isso que eu quero. Quero sinais reais e contínuos. Quero um pouco de calma, de paz de espírito.


Ficar bem comigo mesmo. E quero alguém que tenha fala – ação - reação condizentes. Pode até ter um certo ‘delay’. Mas as ações têm que ser assim, condizentes.


Eu não me dedico pouco. Dedico-me de verdade. E o interesse romântico entra na minha lista de prioridades junto às demais prioridades.


Não o encaro como premiação para o fim do dia. Isso seria retroceder ao ser e ter uma mulherzinha em casa.


Minha intenção não é ser troféu por bom comportamento de alguém. Nem ser o príncipe encantado que parecia perdido no mundo descartável que engoliu os contos de fada.

Hoje o Príncipe (reparem que ele nunca tinha nome marcante) da Branca de Neve estaria subindo nas tranças da Rapunzel. E o Príncipe da Bela Adormecida estaria dando boa noite Cinderela para a Gata Borralheira enquanto o Sherek percebe que o fato do Bambi ser um veado não é impeditivo suficiente para não começarem um romance às escondidas da Fiona.

Sei que eu não quero ser Rei nem Rainha. Não quero ser vassalo nem sua prometida, filha do fiador das roupas do rei. Prometida acorrentada e abandonada enquanto o leal guerreiro defende um Rei que ninguém tem coragem de dizer que está nu e seu reinado está sendo invadido pelos bravos que fundam uma religião Anglicana porque, Henrique VIII cansou de Catarina de Aragão e sucumbiu aos encantos de Ana Bolena.

Não me interessa se Cleópatra, à espera de César e depois Marco Antonio cansou de enamorar-se com seu único alento- seu escaravelho - e acabou por colocar fim à própria vida.

Nem quero ser uma Simone de Beauvoir que se esforçava em não importar-se com a multi-ação de Sartre em defesa de um feminismo que, potencializada, gerou a masculinização da fêmea.

Quero ser um personagem-diretor que ainda não foi inventado. Talvez por isso tenho tido tanto trabalho na seleção dos papéis. Mais difícil do que lidar com escalação é a frustração ao perceber indícios e avisar, no meio do ensaio, que não vai dar certo:


- Obrigado pela parte em que você participou da ação.

Sinto muito não poder contar mais com sua participação.

Ou, ainda pior que isso é poder estar enganado sobre suas próprias percepções e descobrir que Fred Astaire sabia sim dançar, que ser ligeiramente calvo e a impressão de que não sabia interpretar estavam erradas.

25 março 2010

Pornografia ou Romance?


Duas músicas têm saltado aos olhos nos últimos dias para mim. Diante de montanha russa de sucessos e entraves: Heavy Cross e Papa Can You Hear Me & A Piece Of Sky.
Heavy Cross- que tem na vocalista Beth Ditto um dos maiores ícones da geração ‘espaço para todos’. Lésbica e obesa são dois dos rótulos que fogem ao estereótipo ‘perdoável’ de loirinha virgem (Srta. Spears), rica obsessiva no melhor estilo de algum romance de Lollita Pille (srta. Hilton) ou ainda a potente Winehouse. Isso sem falar nas surras que Whitney e muitas outras levaram.
Beth não. Beth, além de cancelar seu show no Brasil, por ter terminado um relacionamento de 8 anos com sua última companheira, ainda encara a forte letra de Heavy Cross com a mais dura realidade. O mundo é cruel sim. É natural, é da natureza. Agressividade está em todo lugar e não é necessariamente ruim. Alimentar-se é um ato extremamente agressivo. Imaginem nossos caninos, molares e pré-molares destroçando um tenro bife mal-passado.  
E toda agressividade é ruim? Claro que não. O ser humano é assim. Está ora está mais sensível, ora menos. E isso vai balizar até que ponto sua agressividade chega. Como vivemos em sociedade, o bom é que um dos lados consiga respeitar o momento do outro. Quando esse limite é extrapolado dão-se as discussões, desentendimentos, guerras egóicas. E aí tem-se coisas maiores a se pensar. Perdas que podem ser irreparáveis. A única certeza da vida.
Essa é a cruz pesada que a srta Ditto tem falado. Do mesmo jeito que diz que podemos fazer nossas escolhas. E que as escolhas são feitas sempre entre dois. No fim, as sombras de Beth podem falar mais alto ao ouvir sua canção. A crueldade do mundo pode doer muito. E ninguém é obrigado a compreender ninguém. Aí, é melhor recorrer à doce, mas não estúpida, interpretação da Lara Fabian. O limite entre o romance e a pornografia está nos olhos de quem lê naquele momento.
Papa Can You Hear Me & A Piece Of Sky- os fanáticos por Barbra Straisend que me desculpem, mas me refiro à interpretação da Lara Fabian no show, Un Regard Neuf Live no Zenith – Paris.
A interpretação faz a diferença para mim aqui. Lara conversa com Deus em “papa can you hear me”. É uma oração. Uma prece. Um pedido de ajuda. Então, emenda ‘A piece of Sky”. Que é o abrir os olhos para o inesperado. O imponderável, de Anaximenes e de Lavoisier.
É perceber que da nossa janela só vemos uma pedaço do mundo. Que para ir além é preciso saltar através dela. E voltamos à Beth. “So, choose”. Você tem coragem de saltar?